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Sobrepeso e obesidade: anticoncepção e cuidados

Mulheres nessa condição devem ir ao médico com maior frequência para monitorar a eficácia e eventuais efeitos colaterais do método escolhido

Cerca de 40% da população mundial feminina apresenta sobrepeso e 15% tem obesidade, segundo dados da Organização Mundial de Saúde (OMS). No Brasil, a porcentagem de adultos obesos é de 18,9%. A diferença entre os sexos não é significativa, mas entre as mulheres a prevalência de obesidade diminui de forma acentuada com o aumento da escolaridade1. As estatísticas são um alerta para essa população porque o peso em excesso aumenta as chances de alterações ligadas ao sistema reprodutivo, tais como, o risco de não ovular, entre outras mudanças do ciclo menstrual. Mulheres nessa condição devem ter mais cuidado na hora de escolher o método contraceptivo ideal e precisam de acompanhamento médico mais frequente para o monitoramento da eficácia e eventuais efeitos colaterais do método escolhido.

Sobrepeso e obesidade e contracepção

O sobrepeso e a obesidade são fatores de risco para doenças crônicas, como diabetes tipo 2, doenças cardiovasculares e pressão alta, entre outras. O parâmetro para avaliar o sobrepeso ou obesidade é o cálculo do Índice de Massa Corporal (IMC). Ele é obtido a partir da divisão do peso em quilos pela altura (em cm) ao quadrado.

Ex: IMC= 80quilogramas / 180cm 2 = 24,69

 

Classificação de sobrepeso e obesidade de acordo com o IMC

   Abaixo de 17

   Muito abaixo do peso

   Entre 17 e 18,49

   Abaixo do peso

   Entre 18,5 e 24,99

   Peso normal

   Entre 25 e 29,99

   Acima do peso

   Entre 30 e 34,99

   Obesidade I

   Entre 35 e 39,99

   Obesidade II (severa)

   Acima de 40

   Obesidade III (mórbida)

 

Ao contrário do que muita gente pensa, mulheres acima do peso podem engravidar normalmente. Precisam, assim, recorrer a métodos contraceptivos se não desejam ter filhos. Podem usar, entre os métodos contraceptivos, da pílula hormonal combinada, ao implante e dispositivo intrauterino (DIU) ou anel contraceptivo. Apenas o adesivo transdérmico não deve ser usado por mulheres com mais de 90 quilos, de acordo com a bula, A eficácia das opções de contracepção depende da adequação da escolha para cada mulher e uso correto.

Riscos

Mulheres obesas que não têm doenças crônicas, como hipertensão e diabetes e alterações das taxas de colesterol, não têm contraindicação para o uso de métodos hormonais. Mas a trombose venosa e algumas doenças cardiovasculares precisam ser consideradas na decisão sobre o uso desses métodos. Em mulheres com IMC (índice de massa corporal) acima de 30, o risco de trombose é duas vezes maior, comparativamente às mulheres com o IMC menor que 25. A paciente acima do peso deve ser avaliada de forma mais criteriosa, portanto, com intervalos menores entre as consultas e exames regulares para detectar possível alteração relacionada aos anticoncepcionais. A Sociedade Europeia de Contracepção recomenda que mulheres obesas usem contraceptivos de progestagênio, isolado ou dispositivo intrauterino.

Bariátrica e anticoncepção

Devido à alta incidência da obesidade na população, têm aumentado também o número de cirurgias bariátricas, particularmente em mulheres que estão na idade fértil. Essas mulheres devem evitar a gestação nos primeiros 18 meses depois da cirurgia, por conta das alterações nutricionais e metabólicas durante a fase de perda de peso acentuada, o que pode aumentar as chances de parto prematuro e outras condições de risco para mãe e bebê.

Dispositivo intrauterino

Mulheres obesas ou com sobrepeso têm indicação preferencial para o uso do DIU de cobre ou do sistema intrauterino (SIU). Este último libera quantidades mínimas de um hormônio que contém o espessamento do endométrio. O DIU de cobre é livre de hormônios. O dispositivo em si impede a concepção de prosseguir, no útero, ao tornar o ambiente inadequado para o desenvolvimento do embrião. O DIU de cobre é oferecido gratuitamente por unidades do Sistema Único de Saúde.

 

 

 


Jornalista responsável:
Silvia Campolin