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Anticoncepção na perimenopausa: o que é recomendado

Usar algum método contraceptivo ao longo da perimenopausa e conservá-lo até um ano após a última menstruação é fundamental para quem não quer engravidar nesta fase.

Só é possível ter certeza da chegada da menopausa doze meses após a última menstruação, informa a convenção usada como referência pelos médicos, estabelecida pela Organização Mundial de Saúde. A ausência da menstruação ao longo de um ano encerra definitivamente a fase reprodutiva feminina segundo a observação clínica que baseia a convenção da OMS.

Anticoncepção durante a perimenopausa

A utilização de algum método contraceptivo na perimenopausa e até um ano após a última menstruação ou menopausa, é importante por duas razões. Primeiro, por ser difícil saber com exatidão o momento em que termina de fato a ovulação e não há mais risco de engravidar. E, segundo, porque na perimenopausa é maior a chance de complicações na gravidez, como malformações fetais, ou problemas no parto. Há casos de mulheres que engravidam nesse período de doze meses, apesar de não mais menstruarem. Eles são raros, mas estão aí para provar que todo o cuidado é pouco quando se trata do encerramento da produção hormonal pelos ovários.

Fumantes e portadoras de doenças crônicas

A avaliação médica individualizada e criteriosa é fundamental para a escolha do melhor método nesta fase. Contraceptivos hormonais são contraindicados para mulheres fumantes, por exemplo, independentemente do número de cigarros/dia, Mulheres que tem enxaqueca ou as hipertensas, mesmo controladas, estão incluídas na mesma contraindicação. A contracepção hormonal representa risco de doença cardíaca coronariana e de doença cerebrovascular, como acidente vascular cerebral (AVC).

Contraceptivos hormonais

Mulheres saudáveis podem utilizar pílulas com baixa dose de estrogênio (menos de 30 mcg de etinilestradiol), como método contraceptivo. Elas produzem menor impacto hormonal e menor incidência de eventos adversos. Os contraceptivos com progestagênio associado também apresentam menor impacto metabólico. O uso de métodos combinados tem a vantagem de minimizar os sintomas da transição para a menopausa, como sangramento irregular e a perda de massa óssea.

Outras opções com e sem hormônio

Outros métodos considerados na perimenopausa são o dispositivo intrauterino (DIU) e o sistema intrauterino (SIU). Por não conter hormônio, o DIU de cobre não interfere na flutuação hormonal típica da perimenopausa e facilita o diagnóstico da menopausa mais facilmente. Mas, ele pode apresentar desvantagens ao exacerbar os episódios de sangramento, bastante comuns na perimenopausa. O SIU, dispositivo que libera o hormônio progestagênio (levonorgestrel) dentro do útero, de forma gradual, faz efeito contrário quanto ao sangramento. O hormônio age sobre o endométrio, contraindo essa camada que reveste internamente o útero, levando as mulheres à amenorreia, em boa parte das vezes — o que significa uma transição para a menopausa sem sangramento maior ou menor ou irregular, como é típico dessa fase.

 


Jornalista responsável:
Silvia Campolin