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Contracepção na adolescência: o que você precisa saber

A escolha do método contraceptivo na adolescência deve ser feita após a análise criteriosa das condições de saúde e de vida de cada paciente

A cada ano milhares de adolescentes se vêem diante de uma realidade inesperada e indesejada: a gravidez. De acordo com dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), de cada 1000 bebês nascidos no Brasil, 68 são filhos de mães adolescentes — meninas de 15 a 19 anos.

A maioria dessas jovens tem seus destinos drasticamente alterados por uma gravidez tão precoce. Daí a importância que informação de qualidade sobre contracepção alcance esse público.

Como escolher o melhor método contraceptivo?

A escolha do método contraceptivo na adolescência deve ser feita após a análise criteriosa das condições de saúde e de vida de cada paciente, o que depende de consulta com um médico ginecologista de confiança.

Ele irá avaliar as condições de saúde pessoal e familiar, a história reprodutiva e preferências de anticoncepção. Para analisar as preferências, deve considerar a conveniência e aceitação dos possíveis efeitos colaterais dos métodos e a capacidade da jovem de adesão ao anticoncepcional no dia-a-dia.

O médico dará atenção especial aos efeitos colaterais, vantagens e desvantagens de cada método, já que essas informações são importantes para uma escolha final bem informada.

Entre os efeitos colaterais que a adolescente pode apresentar são mais comuns os sintomas relacionados abaixo:

Dor de cabeça e náuseas
Alteração do fluxo menstrual
Aumento de peso
Retenção líquida
Melhora ou piora da acne
Alteração no desejo sexual
A paciente adolescente que inicia um método anticoncepcional deve ser acompanhada de perto pelo ginecologista, com retornos mais frequentes do que o normal de uma a duas vezes por ano.

Dispositivos reversíveis de longa duração

Os dois tipos de contraceptivos reversíveis de longa duração que podem ser usados pelas adolescentes são o dispositivo intrauterino (DIU) e os implantes contraceptivos. Ambos são considerados opções de primeira linha pelo Colégio Americano de Obstetrícia e Ginecologia e pela Academia Americana de Pediatria. Eles são classificados como métodos mais eficazes para contracepção porque, uma vez inseridos, não exigem ações repetidas da paciente, como é o caso da pílula diária. Antes da inserção dos dispositivos, o médico deve excluir a possibilidade de gravidez e rastrear doenças sexualmente transmissíveis (DSTs). O DIU de cobre, que é oferecido sem custo pelo Sistema Único de Saúde (SUS), tem como efeitos colaterais o aumento das cólicas e do fluxo sanguíneo durante a menstruação. Em casos raros, pode ocorrer a expulsão do dispositivo pelo organismo, mais uma razão para o acompanhamento regular com um médico, após a sua inserção. As opções hormonais, como os implantes contraceptivos, podem levar à interrupção da menstruação.

Injeção anticoncepcional

A progesterona de depósito, como é conhecido o componente do método injetável, é uma opção de contracepção efetiva e reversível em três meses. Trata-se de uma boa alternativa para quem tem dificuldade de tomar a pílula todos os dias, no mesmo horário. Protege contra o câncer de ovário e endométrio, salpingite, gestação ectópica, doenças benignas da mama, acne e deficiência de ferro. A taxa de risco de gestação é de aproximadamente 6% ao ano. Um de seus possíveis efeitos colaterais é a amenorreia (suspensão da menstruação). A ausência de fluxo menstrual, após o primeiro ano de uso, atinge 70% das usuárias.

Pílulas contraceptivas

As pílulas anticoncepcionais devem ser tomadas diariamente, de preferência no mesmo horário. Sua eficácia pode ser drasticamente reduzida se a ingestão não for diária ou seu uso for concomitante com antibióticos ou medicações, tais, como, anticonvulsivantes e terapia antirretroviral. É sempre muito importante que seu médico saiba sobre todas as medicações que esteja tomando, eventualmente, bem como sobre seus hábitos de vida. Para evitar possíveis falhas do método, por causa de tratamentos imprevistos e incompatíveis, ou hábitos de vida inadequados, que levam ao esquecimento do uso diário, os especialistas costumam recomendar as adolescentes a usar o preservativo em conjunto com a pílula.

Adesivo anticoncepcional

No adesivo anticoncepcional, os hormônios estrogênio e progestogênio são absorvidos através da pele, protegendo até 99% contra a gravidez se for usado corretamente. O adesivo deve ser colado na pele do corpo (braço, perna, lombar, por exemplo, e trocado semanalmente ao longo de três semanas, seguidas de uma semana sem o medicamento, como pausa. O anticoncepcional pode produzir irritação e vermelhidão no local aplicado, o que pode ser resolvido com a alternância de área de aplicação. Assim como a pílula oral, a proteção da gravidez com adesivo pode ser comprometida quando a troca não é feita no prazo indicado de uma semana.

Anel Vaginal

O anel vaginal é inserido na vagina pela usuária, devendo ser deixado no local por três semanas e removido por uma semana. Existe apenas um tamanho de anel vaginal e é imprescindível que a mulher se sinta confortável com ele. Segundo especialistas, a adaptação costuma ser tranquila quando a paciente já está acostumada a utilizar absorventes internos. A exemplo de outros métodos hormonais, é preciso evitar esquecimento na pausa de uma semana no uso do anel e fazer a troca, depois disso, por um novo, para não comprometer a eficácia do método.

Camisinha

A camisinha é um método contraceptivo do tipo barreira, feita de poliuretano ou látex, que impede a passagem dos espermatozóides em direção ao útero, evitando, assim, a gravidez. A camisinha é a única proteção eficaz contra doenças sexualmente transmissíveis (DSTs), como AIDS e HPV. Este é seu maior trunfo, além da proteção contra a gravidez. Mas, para funcionar como barreira ela deve ser bem colocada e usada em todas as relações sexuais. O método é muito acessível devido a distribuição gratuita em postos de saúde do SUS.

Pílula do dia seguinte

Um método contraceptivo de emergência, a pílula do dia seguinte é assim chamada porque deve ser utilizada logo (no dia seguinte) quando há falha em relação ao método contraceptivo habitual, como esquecimentos. O medicamento pode conter levonorgestrel ou acetato de ulipristal. As duas substâncias funcionam atrasando ou inibindo a ovulação.

A contracepção de emergência é indicada após o contato íntimo sem proteção. O método deve ser utilizado diante de situações de risco iminente de gravidez, tais como:

 – Depois de relação sexual quando não for utilizado qualquer método anticoncepcional;
 – O método em utilização for sujeito à falhas, como, por exemplo, tabelinha, ou a camisinha usada durante a relação sexual apresente rompimento;
 – Em situação de violência sexual.