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Infecção pelo HPV e Câncer

O câncer do colo do útero é o terceiro tipo mais frequente no Brasil e a quarta causa de morte por câncer entre as brasileiras. Causado pela infecção persistente de tipos oncogênicos do Papilomavírus Humano (HPV), ele fica atrás somente do câncer de mama e do colorretal em número de casos.

Casos de câncer do colo do útero

A incidência de câncer do colo do útero no Brasil no ano de 2016 foi de 16.340 casos, segundo dados do Instituto Nacional de Câncer (INCA). A mortalidade pela doença foi de 5.430 mulheres em 2013, ano da última estatística disponível.

Existem diferenças regionais na incidência do câncer do colo do útero, a qual é maior nas regiões menos desenvolvidas do país. De acordo com o INCA, a taxa de manifestação da doença por 100 mil mulheres é de 23,97 casos na região Norte; 20,72 casos na região Centro-oeste; 19,49 casos na região Nordeste; 11,30 casos na região Sudeste e 15,17 por 100 mil mulheres na região Sul.

Sintomas

Trata-se de uma condição que têm desenvolvimento lento e que, por isso, pode apresentar sintomas somente quando o tumor já está em estágio invasivo. Os quadros sintomáticos mais comuns são:

– Dor e sangramento durante e após a relação sexual;
– Secreção vaginal anormal;
– Dor abdominal associada a queixas urinárias ou intestinais nos casos mais avançados;
– Anemia devido ao sangramento;
– Dor lombar, pelo comprometimento ureteral.

Quais os fatores de risco?

O fator de risco mais importante para o desenvolvimento do câncer de colo uterino é a presença do vírus HPV com seus subtipos oncogênicos. São 13 os tipos de HPV reconhecidos como oncogênicos pela IARC, a Agência Internacional de Pesquisa sobre o Câncer. Entre eles, os tipos 16 e 18 são os mais incidentes. Os dois respondem por 70% dos casos de câncer do colo do útero

Mais de 90% das infecções por HPV regridem espontaneamente em um prazo de seis a 18 meses, mas quando a infecção é persistente, ou seja, repetida, aumenta a chance de desenvolvimento da doença.

O tabagismo ou mesmo a exposição à fumaça do tabaco no ambiente, contribui para a persistência da infecção pelo HPV, uma vez que agentes carcinogênicos específicos do fumo podem danificar o DNA das células do colo uterino.

Entre outros fatores associados com o desenvolvimento do câncer de colo uterino se incluem início precoce de atividade sexual, abaixo de 16 anos; bem como o alto número de parceiros sexuais ao longo da vida, a prática do sexo desprotegido e o histórico de verrugas genitais.

Tratamento

A cirurgia e a radioterapia estão entre os tratamentos mais comuns para o câncer do colo do útero. O tipo de tratamento depende do estadiamento da doença, tamanho do tumor e fatores pessoais, como idade e desejo de ter filhos.

Prevenção

A prevenção do câncer do colo do útero é feita por medidas educativas, vacinação, rastreamento, diagnóstico e tratamento das lesões subclínicas.

No Brasil, o Ministério da Saúde recomenda o exame citopatológico conhecido como Papanicolau em mulheres de 25 a 64 anos. A orientação é realizar os dois primeiros exames com intervalo de um ano. Se os resultados forem normais após os dois exames anuais e consecutivos, o exame Papanicolau deve ser repetido a cada três anos.

O uso de preservativo (camisinha feminina ou masculina) durante a relação sexual com penetração protege parcialmente do contágio pelo HPV. O vírus também pode ser transmitido através de sexo oral, ou do contato com a pele da vulva, região perineal, perianal e bolsa escrotal.

Vacinação contra o HPV

Em 2014, o Ministério da Saúde introduziu a vacina tetravalente contra o HPV para meninas de 9 a 13 anos de idade no calendário Vacinal. Em 2017, houve a extensão da vacina para meninas de 14 anos e meninos de 11 a 14 anos de idade.

A vacina protege contra os subtipos que causam verrugas genitais e os que são responsáveis por cerca de 70% dos casos de câncer do colo do útero.

Mesmo vacinadas, as mulheres devem continuar a fazer o exame preventivo, Papanicolau a partir dos 25 anos, na periodicidade recomendada pelo Ministério da Saúde, já que a vacina não protege contra todos os subtipos oncogênicos do HPV.

Saiba mais sobre a vacinação contra o HPV.

 


Jornalista responsável:
Silvia Campolin