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Os hormônios sexuais e a origem do processo no cérebro

Os estrogênios têm papel estratégico na ovulação, além de proteger o sistema cardiovascular, a pele e ossos da mulher.

Para que a reprodução entre humanos aconteça, é imprescindível a particiação dos hormônios sexuais. Existem no mínimo 60 formas de hormônios estrogênios circulando no corpo de homens e mulheres. Mas, sua presença é maior no organismo feminino. Isso explica porque as mulheres estão muito menos sujeitas ao infarto antes dos 50 anos. Os estrogênios desempenham papel estratégico na manutenção do sistema cardiovascular e na renovação dos tecidos do corpo feminino, principalmente a pele e os ossos. São três as formas principais ou dominantes dos estrogênios que atuam no corpo feminino: estradiol, estriol e estrona. O estradiol é, de longe, o mais poderoso dos três.

O papel dos estrogênios na reprodução

Estradiol

Fabricado pelos ovários, em sua maior parte, ele atua na função reprodutiva e na manutenção dos tecidos do corpo feminino. É um estrogênio da juventude, se poderia dizer, uma vez que acaba com a menopausa.

Na reprodução, o estradiol:

Estimula os folículos ovarianos a liberar os óvulos;
Aumenta as contrações musculares das trompas de falópio para que empurrem o óvulo até o útero; e leva o útero a reagir à progesterona – hormônio encarregado de preparar o órgão para receber o óvulo fertilizado;
A ação da progesterona promove o espessamento do endométrio, a camada que reveste internamente o útero, tornando-o mais acolhedor para a fixação do óvulo.

No corpo, o estradiol estimula:

A produção do colágeno, que mantém os tecidos da pele firmes e hidratados;
Participa do processo de reconstituição óssea e garante a integridade dos vasos sanguíneos, protegendo dessa forma o sistema cardiovascular;
Também atua na proteção de funções do cérebro relacionadas com a memória.

Estriol

O estriol é produzido pela placenta e, em menor quantidade, pelo fígado. É o principal estrogênio da gravidez.

Estrona

O Estrona é uma versão atenuada de estradiol e o tipo que predomina na mulher após a menopausa. Ele é secretado pelas células de gordura do corpo feminino e, durante a gravidez, também é produzido pela placenta.

A produção de hormônios sexuais

Como e onde começa?

A região do cérebro conhecida como hipotálamo e a glândula pituitária – ou hipófise, como é chamada — são as responsáveis pela produção do coquetel de hormônios sexuais que preparam o organismo feminino para a reprodução, e o mantém em bom estado de funcionamento durante a fase fértil feminina. Com pouco mais de um centímetro de diâmetro e meio grama de peso, e alojada na base do cérebro, a hipófise é subordinada diretamente ao hipotálamo e se encarrega, em ambos os sexos, de fabricar as chamadas gonadotrofinas. As gonadotrofina são substâncias que induzem os ovários e testículos, lá embaixo, a liberar os hormônios sexuais, os quais, por sua vez, amadurecem os óvulos e as células germinativas masculinas necessárias à reprodução. Para desempenhar essa função, as gonadotrofinas carregam dois tipos de hormônios: o Hormônio Folículo Estimulante, ou FSH e o Hormônio Luteinizantes ou LH. As siglas correspondem às iniciais dos nomes dessas substâncias em inglês.

A origem dos espermatozóides

Nos homens, os dois hormônios atuam simultaneamente. O FSH forma os espermatozóides enquanto o LH estimula os testículos a fabricar testosterona. Nas mulheres, eles agem em fases alternadas. O FSH entra na primeira metade do ciclo para induzir os ovários a produzir estradiol, o estrogênio que amadurece um ou mais óvulos guardados nos folículos ovarianos. Quando o óvulo está maduro, e pronto para sair de sua “casca”, o nível de concentração do estrogênio estradiol no sangue aumenta. É o sinal que a hipófise precisa para entender que o trabalho foi feito e está na hora de parar a produção de FSH e lançar a segunda gonadotrofina na circulação: o LH. O hormônio luteinizante ajuda o óvulo a romper a casca folicular e cair em uma das duas trompas de falópio, que a essa altura estão encostadinhas nos ovários à espreita de sua presa.

Reserva de óvulos durante vida fértil

As mulheres já nascem com toda a reserva de óvulos que irão usar durante a vida fértil. Chegam ao mundo com um suprimento aparentemente exagerado de dois milhões de folículos e atingem a puberdade com 400 mil. O processo pelo qual desaparecem mais de dois terços desse estoque imenso antes da menarca, época da primeira menstruação, ainda é mal conhecido pela ciência. A atresia folicular, termo técnico usado para identificar o fenômeno de perda significativa de folículos e óvulos pelas mulheres, e que significa literalmente estreitamento de órgão oco, faz parte da natureza dos ovários. Tanto que as mulheres gastam, no máximo, 450 dos 400 mil óvulos com suas ovulações antes de atingir a idade da menopausa, quando têm a última menstruação e provavelmente nenhum óvulo a mais em seus folículos para continuar a sua história reprodutiva. Não é de uma hora para a outra que ocorre o desaparecimento dos folículos. O processo começa a ser perceptível depois dos 35 anos e se torna crônico depois dos 45, quando a chamada atresia dá origem a ciclos menstruais anovulatórios (sem produção de óvulos). A falha na ovulação desencadeia um processo de desequilíbrio na produção hormonal, caracterizado pela queda nos níveis de progesterona e flutuações dos níveis de estrogênios no organismo feminino. Tal desequilíbrio será responsável pelos sintomas de suores e “calores” que caracterizam a chamada fase do climatério, que antecede o fim das menstruações ou menopausa.

 


Jornalista responsável:
Silvia Campolin