Vida sexual na menopausa

por Feito para Ela
Com o tratamento correto a mulher pode manter uma vida sexual plena durante e depois da menopausa

A menopausa faz parte da vida de toda mulher, e é caracterizada pelo encerramento definitivo do ciclo menstrual. A menopausa começa a dar sinais no organismo da mulher aproximadamente aos 50 anos, uma média verificada em países ocidentais como o Brasil. Na grande maioria das mulheres, uma variação no ciclo menstrual é observada antes, podendo este ciclo se tornar mais constante ou mais espaçado, a chamada pré-menopausa. Uma das implicações envolvidas nesse processo é que alguns hormônios, como o estrogênio, tenham sua produção drasticamente reduzida, até cessar definitivamente.

“A menopausa, de forma alguma deve ser um impeditivo para que a vida sexual da mulher seja completa. Existem muitos recursos na medicina atual que aliviam os impactos da menopausa. É sabido que cerca de 80% das mulheres apresentam sintomas vasomotores, caracterizados pelas ondas de calor e suores noturnos, acarretando dificuldades para dormir, por exemplo. Em menor escala, podem também ocorrer mudanças na pele, no cabelo, além da possível diminuição da lubrificação vaginal. Essa dificuldade pode trazer um desconforto na hora da relação sexual, mas para tudo isso existe tratamento. É preciso explicar, porém, que nem toda mulher sofre com o processo da menopausa. Muitas delas enfrentam esse período sem maiores desconfortos”, explica o doutor Marco Aurélio Albernaz, médico ginecologista e membro da Comissão Especializada em Climatério (período que corresponde à transição da fase reprodutiva da mulher para a não reprodutiva) da Febrasgo.

Desmistificando tabus

O médico chama atenção para outros aspectos: a falta de ânimo, mudanças de humor ou até mesmo a chegada de uma fase depressiva por conta dessas variações hormonais, que em alguns casos, afetam o sistema nervoso central. O tratamento adequado previne e melhora um possível quadro depressivo. Para Albernaz, porém, a questão da sexualidade da mulher na menopausa, ou em qualquer outra época, vai muito além da produção ou não de hormônios.

“Além do sexo com objetivo reprodutivo, o ser humano é a única espécie que pratica o sexo prazeroso e saudável, e esse tipo de sexo está intimamente ligado ao pensamento. Então, a busca pelo prazer é muito importante, já que nenhum cérebro vai pedir ao corpo que faça ou repita algo indesejado”.

Nesse cenário, ele chama a atenção para aspectos sociais, culturais e até religiosos, que podem ajudar na retomada de uma vida sexual plena. “A primeira coisa a se fazer é conhecer o histórico sexual da pessoa. Muitas vezes a vida sexual de uma mulher já vinha sendo ruim e, nesse caso, a chegada da menopausa pode servir como desculpa para que as relações cessem definitivamente. É preciso descobrir o que está por traz dessa falta de vontade, buscar caminhos para resolver essa importante questão. Uma relação machista, opressora ou até mesmo baseada em algumas crenças religiosas, certamente irão colaborar para que se estabeleça um cenário desfavorável. Outro objetivo a ser almejado é a busca da intimidade com o(a) parceiro(a). Uma relação com diálogo franco e respeito mútuo é o caminho para uma vida sexual de qualidade. E quando falo em qualidade, não me refiro a quantidade de relações, que pode ser de uma vez ao dia, na semana ou num mês. Mas sim, na harmonia do casal”.

Qualquer idade

O diálogo, abordando essa e outras questões essenciais, é o caminho a ser seguido. “Expressar para o(a) parceiro(a) quais os carinhos, os toques que mais gosta; quais são as posições preferidas. E, claro, ambos terem a liberdade de recusa em determinados momentos. Ambos precisam estar a fim. Há mulheres que se sentem culpadas ou envergonhadas nessa recusa e isso é um equívoco. Muitas também acham que se o(a) parceiro(a) não for atendido(a) ele(a) irá procurar sexo fora da relação, então se sentem forçadas a fazerem. Todas essas situações só tendem a piorar o quadro. Outros profissionais que não um ginecologista, como um psicólogo, terapeuta, ou até mesmo um preparador físico podem ajudar na conquista de uma boa vida sexual durante e após a menopausa”, diz Albernaz.

E ele é categórico ao afirmar que a idade não é um limite, seja ela qual for. “Atendi uma vez uma senhora de 82 anos que se queixou de que não estava confortável quando penetrada e o tratamento aplicado melhorou sobremaneira essa questão. Lembrando que o sexo não se resume ao ato da penetração ou da ejaculação. Envolve também carinho, afeto e acolhimento. Não existe receita pronta, já que cada pessoa tem a sua particularidade, assim como os casais ou parceiros(as). Estar bem com a família, amigos, buscar uma boa condição emocional tem tudo a ver. Bons sentimentos, sentir-se feliz, ajudam na tomada de decisões, evitam traumas, seja qual for a idade da mulher. Criar uma sintonia com o(a) parceiro(a) é essencial e essa integração necessita ser alicerçada por muito diálogo e respeito mútuo. Essas são as principais premissas para obter uma vida sexual prazerosa e duradoura independente da menopausa”.

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