Saúde da mulher: 10 cuidados essenciais oferecidos gratuitamente pelo SUS

por Feito para Ela

Por Letícia Martins, jornalista com foco em saúde

Da prevenção ao tratamento, políticas públicas garantem atenção integral às brasileiras em todas as fases da vida.

Em 2026, o Sistema Único de Saúde (SUS) completará 35 anos como uma das maiores conquistas da democracia brasileira, assegurando acesso universal e gratuito à saúde para toda a população. Dentro dessa estrutura, a Política Nacional de Atenção Integral à Saúde da Mulher ocupa um papel estratégico ao reconhecer as especificidades do corpo feminino e ampliar o cuidado para além da lógica reprodutiva.

Construída em diálogo com movimentos de mulheres e diferentes setores da sociedade, essa política organiza uma rede de serviços que acompanha meninas, adolescentes, adultas e idosas, com foco na promoção da saúde, prevenção de doenças, diagnóstico precoce e tratamento adequado.

Para marcar esse aniversário simbólico, reunimos 10 tratamentos e serviços voltados às mulheres, todos 100% gratuitos e disponíveis pelo SUS, que mostram como o cuidado com a saúde feminina está presente no dia a dia do sistema público brasileiro.

1- Reconstrução mamária para vítimas de violência

Em julho de 2025, o governo federal sancionou o Projeto de Lei nº 2.291/2023, ampliando a proteção às mulheres atendidas pelo SUS. A nova legislação garante às vítimas de violência o direito à cirurgia reparadora de mama, realizada de forma integral e gratuita na rede pública. Antes disso, o procedimento só era possível para casos de perda mamária em decorrência de câncer.

Além da cirurgia, a legislação prevê acompanhamento psicológico e atendimento multidisciplinar especializado, reforçando a proposta de cuidado integral, que considera não apenas os impactos físicos, mas também as repercussões emocionais e sociais dessas experiências na vida das mulheres.

2- Rede Alyne

A Rede Alyne é uma iniciativa do Governo Federal voltada ao cuidado integral da gestante, com o objetivo de reduzir a mortalidade materna e de bebês no Brasil. O programa representa uma reformulação e ampliação da antiga Rede Cegonha, criada em 2011, com processos atualizados e foco explícito no enfrentamento das desigualdades em saúde.

Com essa nova configuração, a meta é reduzir a mortalidade materna em 25% e as mortes de mulheres pretas em 50% até 2027. Para isso, a Rede Alyne aposta em um modelo de cuidado integrado, que articula maternidades, atenção primária e a Saúde da Família, fortalecendo o Complexo Regulatório do Sistema Único de Saúde com equipes especializadas em obstetrícia.

3- Salas Lilás
Criadas em 2024, após o Governo Federal sancionar a Lei nº 14.847/24, as Salas Lilás oferecem acolhimento às vítimas de agressão, contando com atendimento adequado, privacidade e proteção à sua integridade física.

A Sala Lilás é composta por dois ambientes, preferencialmente interligados, um é destinado à espera pelo serviço e o outro para a realização do atendimento individualizado de mulheres e meninas e seus familiares. As mulheres também têm direito a atendimento específico e especializado, como acompanhamento psicológico e outros serviços. Saiba mais aqui.

4- Exames preventivos

O SUS oferece diversos exames de rastreamento e diagnóstico, como mamografias, exames citopatológicos do colo do útero (Papanicolau), e colonoscopias. O foco é a prevenção e detecção precoce de cânceres em mulheres.

Estão ainda disponíveis pelo SUS testes rápidos para HIV, sífilis e hepatites, além de exames laboratoriais e de imagem, como ultrassonografias e densitometria óssea, conforme a necessidade clínica.

5- Papanicolau

O exame ginecológico de citologia, conhecido como Papanicolau, é uma das principais estratégias para a detecção precoce de lesões precursoras do câncer do colo do útero. Por meio da análise de células coletadas do colo uterino, o exame permite identificar alterações antes mesmo do surgimento de sintomas, possibilitando intervenções precoces e reduzindo significativamente o risco de evolução para o câncer.

Mulheres entre 25 e 64 anos, com vida sexual ativa, devem realizar este exame periodicamente, independentemente da presença de sintomas. O recomendado é fazer anualmente e, após dois resultados negativos consecutivos, manter um intervalo de três anos.

6- Teste de DNA do HPV

Nos últimos anos, avanços científicos têm reforçado a importância do teste molecular para detecção do DNA do HPV, vírus responsável pela maioria dos casos de câncer do colo do útero. Estudos mostram que esse teste é mais sensível do que a citologia tradicional, com maior capacidade de identificar lesões pré-malignas e malignas em fases iniciais.

Por isso, ele vem sendo incorporado de forma progressiva como estratégia prioritária de rastreamento, especialmente em mulheres a partir de determinadas faixas etárias. Saiba mais nesta entrevista que fizemos com a ginecologista Dra. Sophie Derchain, secretária da Comissão Nacional Especializada em Ginecologia Oncológica da Febrasgo neste link.

7- Vacinação contra o HPV

A vacina contra o HPV é a principal forma de prevenir o câncer do colo do útero, terceiro tipo de tumor mais incidente entre mulheres no Brasil e a quarta principal causa de morte feminina por câncer.

Anualmente, cerca de 17 mil novos casos são diagnosticados, de acordo com o Instituto Nacional do Câncer (Inca). A meta da Organização Mundial de Saúde é imunizar ao menos 90% do público-alvo e eliminar o câncer de colo de útero como problema de saúde pública até 2030.

8- Contraceptivos gratuitos

O uso de métodos contraceptivos é muito importante para o planejamento familiar. Além de reduzir o número de gestações não planejadas, também pode prevenir abortos inseguros e mortalidade materna e infantil.

No SUS, além do DIU, são oferecidos anticoncepcional injetável mensal e trimestral, minipílula, pílula combinada, diafragma, pílula anticoncepcional de emergência, preservativos feminino e masculino.

Para ter acesso aos métodos basta procurar a Unidade Básica de Saúde mais próxima da sua casa. Os fármacos serão retirados, gratuitamente, pelo Programa Farmácia Popular.

9- DIU na atenção primária

Desde 2017 o dispositivo intrauterino (DIU) está disponível pelo SUS, possibilitando que milhares de mulheres consigam prevenir uma gestação não planejada. O contraceptivo pode ser implantado em toda a rede do SUS, que inclui ambulatórios, policlínicas e hospitais. Busque informações com seu médico ou a Secretaria Municipal de Saúde da sua cidade. Saiba mais sobre o DIU aqui.

10- Absorventes gratuitos

Desde janeiro de 2024, o SUS, por meio do Programa Farmácia Popular, passou a garantir a distribuição gratuita de absorventes como parte do Programa Dignidade Menstrual, do Ministério da Saúde.


A iniciativa beneficia todas as pessoas que menstruam, com idade entre 10 e 49 anos, inscritas no CadÚnico, que atendam a pelo menos um dos seguintes critérios: renda mensal de até R$ 218, situação de rua ou ser estudante da rede pública com renda familiar per capita de até meio salário-mínimo. Saiba como retirar o benefício aqui.

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