Caso raro reacende dúvidas sobre riscos da reprodução assistida; entidades médicas reforçam que complicações graves são exceção.
Notícia recente sobre a morte de uma paciente de 31 anos após complicações durante um procedimento para fertilização in vitro (FIV), realizado em uma clínica particular na capital paulista, trouxe comoção e levantou dúvidas entre mulheres que planejam recorrer à reprodução assistida.
Diante da repercussão, cinco entidades médicas brasileiras divulgaram uma nota oficial esclarecendo que o óbito relacionado à FIV é um evento extremamente raro. O documento é assinado pela Sociedade Brasileira de Reprodução Assistida (SBRA), Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo), Rede Latino-Americana de Reprodução Assistida (RedLARA), Associação Brasileira de Embriologistas em Medicina Reprodutiva (Pronúcleo) e Sociedade Brasileira de Reprodução Humana (SBRH).
De acordo com a nota, a reprodução assistida é realizada há mais de quatro décadas e já possibilitou o nascimento de milhões de crianças no mundo. Quando feita em centros especializados e por profissionais habilitados, seguindo normas nacionais e internacionais, a FIV é considerada um procedimento seguro.
Estudos internacionais indicam que a mortalidade diretamente associada aos tratamentos de fertilização in vitro é estimada em menos de 1 caso a cada 100 mil ciclos realizados.
“Embora todo procedimento médico envolva riscos, as complicações graves associadas à FIV são raras, e o óbito é um evento excepcionalmente incomum na prática da reprodução assistida”, destaca a nota oficial.
As entidades reforçam ainda que, na maioria das situações descritas na literatura, eventos graves costumam estar relacionados a condições clínicas específicas ou a complicações médicas raras — e não ao procedimento em si.
Quais são as possíveis complicações?
Assim como qualquer tratamento médico, a FIV pode apresentar riscos. As principais complicações graves potencialmente associadas são:
- Síndrome de hiperestimulação ovariana grave;
- Eventos tromboembólicos;
- Complicações anestésicas;
- Infecções ou sangramentos relacionados à punção ovariana.
A boa notícia é que os protocolos evoluíram muito nos últimos anos. A hiperestimulação ovariana grave, por exemplo, hoje é considerada incomum em centros especializados, porque existem estratégias preventivas para pacientes com maior risco.
Além disso, quando intercorrências são diagnosticadas precocemente, geralmente têm boa resolução.
A importância da avaliação individual
Conforme aponta a nota oficial da Febrasgo e das demais entidades médicas, a avaliação clínica individualizada antes do início do tratamento é uma etapa essencial para a segurança da paciente.
No Brasil, a reprodução assistida é regulamentada pela Resolução CFM nº 2.320/2022, que estabelece critérios técnicos e éticos para a prática. Isso significa que antes de iniciar a FIV, a paciente deve passar por exames e avaliação detalhada de seu histórico clínico, justamente para reduzir riscos e identificar possíveis condições que mereçam atenção especial.
Por que é importante evitar conclusões precipitadas?
Outro ponto enfatizado pelas entidades é que qualquer evento adverso grave precisa ser investigado de forma criteriosa.
Não é possível estabelecer causas ou responsabilizações apenas com base em informações preliminares divulgadas publicamente.
“A divulgação responsável de informações médicas é essencial para evitar interpretações equivocadas que possam gerar temor injustificado em pacientes que necessitam de tratamento”, alerta o documento.
O que as mulheres precisam saber antes de iniciar a FIV
Para quem está considerando a FIV, alguns cuidados são fundamentais, como:
- Buscar clínicas e equipes médicas especializadas;
- Conversar abertamente sobre histórico de saúde e fatores de risco;
- Perguntar sobre possíveis complicações e sinais de alerta;
- Esclarecer todas as dúvidas antes de iniciar o tratamento.
A reprodução assistida é, para muitas mulheres, um caminho de esperança e realização do sonho da maternidade. Casos graves são profundamente dolorosos e merecem investigação cuidadosa, mas também precisam ser contextualizados dentro da realidade científica.
Informação clara, baseada em evidências, é o melhor caminho para decisões conscientes e menos movidas pelo medo.
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