Sífilis cresce entre mulheres acima de 50 anos e acende alerta para prevenção

por Feito para Ela

Por Letícia Martins, jornalista com foco em saúde

Vida sexual ativa na terceira idade exige atenção redobrada para o uso do preservativo e para a realização de testes de rotina.

Viver mais e com qualidade é uma conquista das últimas décadas. Hoje, muitas mulheres acima dos 50 anos seguem ativas, independentes e com vida sexual plena. Esse novo cenário acompanha o envelhecimento da população brasileira. Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística mostram que pessoas com 60 anos ou mais já representam 15% da população do país, um crescimento expressivo em relação à década anterior.

Mas essa longevidade também traz novos desafios para a saúde, especialmente quando o assunto é a prevenção de infecções sexualmente transmissíveis (IST). Entre elas, a sífilis tem chamado a atenção pelo avanço consistente entre pessoas mais velhas, inclusive mulheres.

Dados do Boletim Epidemiológico de 2024, do Ministério da Saúde, mostram que, no período pré-pandemia, entre 2014 e 2019, houve aumento das taxas de detecção de sífilis adquirida em todas as faixas etárias. Entre pessoas com 50 anos ou mais, o crescimento médio anual foi de 25,7%, um número significativo e que ajuda a desmontar a ideia de que a infecção atinge apenas jovens.

Nos anos mais recentes, o alerta se intensifica. Entre 2021 e 2022, o maior aumento percentual nas taxas de detecção ocorreu justamente nas faixas etárias mais velhas. Entre pessoas com 50 anos ou mais, a taxa saltou de 50,6 para 67,6 casos por 100 mil habitantes, um aumento de 33,4%.

Para a ginecologista Dra. Maria Luiza Bezerra Menezes, membro da Comissão Nacional Especializada em Doenças Infectocontagiosas da Febrasgo, esses números refletem uma mudança importante no comportamento e na vivência da sexualidade feminina.

“A mulher acima dos 50 anos vive hoje uma fase de maior liberdade e qualidade de vida, inclusive sexual. A reposição hormonal contribui para isso, mas também aumenta a vulnerabilidade às infecções sexualmente transmissíveis. Por isso, essa população precisa ser alertada, orientada e incluída nas campanhas de prevenção”, explica.

Um dos principais pontos de atenção é o uso do preservativo. Com o fim da preocupação com a gravidez, muitas mulheres na menopausa acabam abandonando a camisinha. “As IST não escolhem idade. O preservativo continua sendo a principal forma de prevenção contra a sífilis e outras infecções, em qualquer fase da vida”, reforça a ginecologista.

Sem sintomas

Outro desafio é que a sífilis costuma ser silenciosa. “Na maioria das vezes, a doença está na fase latente, sem sintomas. Cerca de 85% das pessoas não apresentam sinais claros da infecção”, explica Dra. Maria Luiza.

Quando os sintomas aparecem, nem sempre são fáceis de identificar. Em homens, pode surgir uma ferida indolor na região genital que cicatriza sozinha. Já nas mulheres, essa lesão costuma passar despercebida, pois pode estar localizada na vagina ou no colo do útero, sem dor ou incômodo. Em fases mais avançadas, podem surgir manchas na pele, descamação nas mãos e nos pés, coceira ou alterações nos cabelos e sobrancelhas, sinais que raramente são associados, de imediato, à sífilis.

Por isso, além do preservativo, a testagem regular é fundamental. “O rastreamento precisa fazer parte da rotina de cuidado. Ele é simples, pode ser feito por teste rápido ou por exames de sangue incluídos nas consultas médicas de rotina, tanto na rede pública quanto na privada”, orienta a ginecologista. “Quanto mais cedo o diagnóstico, mais eficaz é o tratamento.”

A recomendação é que mulheres sexualmente ativas, inclusive após os 50 anos, conversem com seus médicos sobre a realização periódica do teste, mesmo na ausência de sintomas.

A especialista ressalta: falar sobre camisinha e exames após os 50 anos não é motivo de constrangimento. É uma atitude de autonomia, autocuidado e informação. Em uma fase da vida marcada por mais consciência do próprio corpo e mais liberdade de escolhas, prevenir também é uma forma de viver melhor – com saúde, segurança e tranquilidade.

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