Névoa mental no climatério: por que a memória e a concentração podem falhar nessa fase?

por Feito para Ela

Entenda por que esquecimentos e dificuldade de concentração são comuns nessa fase e quando eles não indicam doença neurológica.

Por Letícia Martins, jornalista com foco em saúde

Esquecimentos frequentes, dificuldade de concentração e aquela sensação de “confusão mental” têm sido relatados por muitas mulheres durante o climatério e nos primeiros anos após a menopausa. Esses sintomas, embora causem insegurança, fazem parte de um quadro comum dessa fase da vida, conhecido como névoa mental.

Tal queixa é bastante frequente nessa etapa da vida, como explica a Dra. Lúcia Costa Paiva, professora titular de Ginecologia da Faculdade de Ciências Médicas da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e presidente da Comissão Nacional Especializada em Climatério da Febrasgo:

“A névoa mental é uma dificuldade de concentração e uma perda de memória que é bastante comum no climatério. Mais ou menos 60% das mulheres nessa fase apresentam essa queixa, que costuma ser mais intensa na perimenopausa e nos primeiros anos após a menopausa.”

De acordo com a especialista, a névoa mental está relacionada principalmente à memória imediata. As mulheres costumam relatar dificuldade para lembrar nomes, esquecimento de objetos, perda de foco em tarefas simples e até situações embaraçosas como chegar a um lugar sem se lembrar exatamente do que foi fazer ali.

“Névoa mental é uma diminuição da memória recente, da concentração e da capacidade de realizar tarefas do dia a dia. Não se trata de esquecer fatos antigos ou da história de vida, mas de lapsos do cotidiano”, esclarece a Dra. Lúcia.

Esse ponto é fundamental para diferenciar a névoa mental associada ao climatério de quadros neurológicos mais graves.

Névoa mental não é sinal de demência

Um dos maiores medos das mulheres ao perceberem essas falhas cognitivas é a possibilidade de estarem desenvolvendo doenças neurológicas, como demência ou Alzheimer. A especialista tranquiliza: a névoa mental do climatério não é indicativa desse tipo de condição.

“A névoa mental do climatério não é um indicativo de que a mulher vá desenvolver demência ou doença de Alzheimer no futuro. Além disso, problemas neurológicos mais graves costumam vir acompanhados de outros sintomas, como perda de força muscular ou dificuldade para caminhar, o que não acontece na menopausa”, destaca.

O papel dos hormônios no funcionamento do cérebro

Os hormônios femininos, principalmente o estrogênio, têm um papel direto na função cerebral. O cérebro possui receptores para estrogênio e progesterona, e a redução desses hormônios impacta diretamente o funcionamento das células cerebrais.

Na perimenopausa, fase marcada por grande oscilação hormonal, esse impacto pode ser ainda mais evidente. “O estrogênio atua em substâncias do sistema nervoso central chamadas neurotransmissores, que são responsáveis por transmitir informações de uma célula para outra. Com a diminuição do estrogênio, esses neurotransmissores e até a energia fornecida pelo cérebro são afetados, o que compromete memória e concentração”, explica a Dra. Lúcia.

Outros fatores que podem agravar a névoa mental

Além das alterações hormonais, outros aspectos do estilo de vida e da saúde geral podem intensificar a névoa mental. Entre eles estão:

  • Qualidade inadequada do sono
  • Estresse do dia a dia
  • Alimentação desequilibrada
  • Sedentarismo
  • Presença de outras doenças ou condições de saúde

Segundo a ginecologista, o sistema nervoso central precisa de descanso, boa nutrição e circulação adequada para funcionar bem. Logo, a ausência desses cuidados acaba refletindo no desempenho cognitivo.

O que ajuda a aliviar a névoa mental?

O manejo do climatério como um todo pode contribuir significativamente para a melhora da névoa mental e da qualidade de vida. A especialista destaca algumas estratégias fundamentais:

  • Dormir bem, com atenção à higiene do sono e à qualidade do descanso;
  • Praticar atividade física, especialmente exercícios aeróbicos, que melhoram a circulação cerebral;
  • Com orientação médica, avaliar a necessidade de reposição hormonal, que pode melhorar ondas de calor, suores noturnos e, consequentemente, o sono;
  • Adotar uma alimentação equilibrada, com destaque para a dieta do Mediterrâneo, rica em peixes, frutas e verduras;
  • Reduzir o estresse, identificando estratégias que funcionem para cada mulher, como organização da rotina, atividades de relaxamento, ioga ou mindfulness.

A médica ressalta que o cuidado precisa ser individualizado, respeitando a realidade e as preferências de cada mulher. A névoa mental pode assustar, mas entender suas causas e reconhecer que ela faz parte de um processo fisiológico ajuda a atravessar o climatério com mais segurança, informação e autocuidado.

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