Números alertam para os cuidados com a saúde óssea

por Feito para Ela

Uma em cada três mulheres acima de 50 anos terá osteoporose

Quando falamos em saúde óssea, imediatamente relacionamos o assunto com a osteoporose. Essa doença se caracteriza pela perda excessiva de massa óssea, especialmente em mulheres com mais de 50 anos e homens com mais de 60. A perda da massa e de sua qualidade tem como consequência principal o elevado número de fraturas por fragilidade óssea. “Para que se tenha uma noção, temos uma fratura a cada três segundos, no mundo, causada pela osteoporose. O pior é que o problema só tende a crescer, porque a expectativa de vida das pessoas está aumentando globalmente e de forma mais acelerada na América Latina, e é na terceira idade sua maior incidência. Isso faz com que o tema seja considerado uma questão de saúde pública, devido ao tamanho de sua incidência, impacto na qualidade de vida, além do alto custo com a assistência médica”, explica a doutora Adriana Orcesi Pedro, médica ginecologista e Presidente da Comissão Nacional Especializada em Osteoporose da FEBRASGO (Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia).

A osteoporose tem prevalência em mulheres, uma em cada três acima de 50 anos terá a doença. Nos homens, um em cada cinco, após os 60 anos, irá sofrer com ela. Nas mulheres, a questão hormonal é a de maior relevância. “Com a menopausa, o estrogênio deixa de ser produzido, contribuindo para a perda da massa óssea de forma mais acentuada. Casos de osteoporose abaixo dos 50 anos existem, mas são raros. Em mulheres jovens, 95% dos casos são secundários a alguma doença crônica, como as doenças autoimunes, doenças endócrinas ou devido ao uso de algum medicamento, como os corticoides entre outros”, diz Orcesi.

Tratamento Preventivo

Vários fatores contribuem para a perda de massa óssea, sendo que alguns são não modificáveis, como o risco familiar (variação genética), que contribui para risco em 60%, mas muitos são passíveis de modificações.

“Os fatores genéticos, o envelhecimento e o gênero são fatores que não conseguimos modificar, mas outros fatores de risco podem ser controlados ou até mesmo evitados, especialmente o sedentarismo. A prática de atividade física regular e progressiva, uma boa alimentação rica em cálcio – 80% dessa fonte são oriundas de leite e laticínios – e outros nutrientes benéficos ao osso, adequação em vitamina D, deixar de fumar, e de beber exageradamente, evitar ou substituir medicamentos nocivos ao esqueleto, certamente aumentam as chances de se obter uma boa saúde óssea”, explica a ginecologista.

Sempre a melhor estratégia para uma boa saúde é a prevenção. O caminho indicado é procurar um profissional de saúde para que se tenha uma orientação preventiva que incentive mudanças no estilo de vida, e com isso contribuir para uma melhor saúde óssea. Caso o paciente já apresente osteoporose, o tratamento envolverá medicamentos que evitará o desfecho final que é a ocorrência da fratura. “Uma das piores consequências de quem sofre com a doença é a fratura por fragilidade. As mais comuns são as de punho, as vertebrais e a de fêmur. As fraturas vertebrais podem ser assintomáticas e com o tempo evoluem clinicamente para a diminuição da estatura, dor crônica e deformidade da coluna, como a cifose (corcunda). As fraturas de fêmur são as mais graves e podem levar a óbito 20% das pessoas, ou causarem incapacidade motora permanente, além de dependência, necessitando de cuidados até mesmo para as atividades rotineiras, gerando um ônus para a família, para a sociedade e serviços de saúde, além de complicações clínicas. As fraturas também estão relacionadas a alterações na esfera psicoemocional, alteração da autoimagem, baixa autoestima, isolamento social e desta forma impactará ainda mais a qualidade de vida”, afirma Orcesi.

Campanhas

O assunto é de muita relevância, especialmente na América Latina, onde a população com mais de 60 anos vai dobrar nos próximos 10 anos. Em 2000 essa faixa etária correspondia a 7% do total de habitantes. Estudos mostram que em 2030 a parcela chegará em 14%.

Diante desse cenário, a Fundação Internacional de Osteoporose formulou um questionário em que a própria pessoa pode fazer uma pré-avaliação https://riskcheck.osteoporosis.foundation/. De posse das informações, deve-se procurar avaliação médica para checar a saúde óssea e para o cálculo do risco de fratura nos próximos 10 anos, com instrumento especializado (FRAX – cálculo de probabilidade de fraturas), e desta forma receber uma avaliação adequada tanto do diagnóstico, como de tratamento, se for necessário.

E como as quedas também contribuem para o risco de fraturas, o Ministério da Saúde elaborou a campanha “Casa Amigável” http://bvsms.saude.gov.br/dicas-em-saude/2920-casa-segura-para-o-idoso, já que grande parte das quedas (70%) ocorrem dentro de casa. No artigo disponibilizado, consta uma série de dicas para tornar o ambiente mais seguro. Vale a pena conferir!

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