SUA: quando o sangramento uterino não é normal

por Feito para Ela
Menstruação intensa que prejudica a qualidade de vida da mulher ainda é pouco diagnosticada, mas tem tratamento eficaz em mais de 90% dos casos

A menstruação faz parte da vida de toda mulher no período fértil. Por isso mesmo, há uma tendência a negligenciar sintomas desconfortáveis desse período, achando que “é tudo normal”. Mas pode não ser. Se você passa por menstruações excessivamente longas, frequentes ou imprevisíveis, se tem de trocar de absorvente durante a noite ou, nos dias mais intensos, mais de uma vez a cada duas horas, e se você organiza atividades sociais ou planeja suas roupas pensando na intensidade do fluxo, você pode ter Sangramento Uterino Anormal, o SUA.

Essa condição afeta impressionantes uma em cada três mulheres no mundo. É definida como a perda excessiva de sangue menstrual que interfere na qualidade de vida física, social, emocional e/ou material da mulher. 

Um estudo realizado com 200 mulheres com SUA em cinco países, incluindo o Brasil, deixou claro como a condição impacta negativamente o dia a dia de suas portadoras. No caso das brasileiras, 80% evitam atividades sociais por causa do fluxo intenso, 72% se preocupam com vazamentos/acidentes e ⅓ delas já passou por situações constrangedoras, entre elas as temidas manchas de sangue nas roupas quando em público.

O médico ginecologista Agnaldo Lopes, presidente da Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo), explicou que o SUA tem a ver com autopercepção e autoconhecimento sobre o corpo e a menstruação, mas também se relaciona com questões culturais. “Em países orientais, por exemplo, as mulheres dão à menstruação a conotação de fertilidade, de estar saudável e de eliminação de toxinas. Mas, no Brasil, nós temos estudos que mostram que 65% das mulheres gostariam de menstruar muito menos ou não menstruar. Então essa relação da mulher com a própria menstruação também deve ser levada em consideração na hora do diagnóstico”, detalhou o especialista em edição do Ela Talks sobre o tema.

Essa questão levou, inclusive, a uma mudança recente no diagnóstico do SUA. Antes eram levados em consideração exclusivamente aspectos físicos, como perda excessiva de sangue, ocorrência de anemia e eliminação de coágulos. Agora o principal fator a se considerar é justamente o impacto na qualidade de vida da mulher.

Com essa mudança, o diagnóstico é uma consequência tanto da habilidade do médico em ouvir e compreender as pacientes quanto da própria mulher em identificar os sintomas. Mas ainda há um longo caminho a percorrer, de ambos os lados, quando o assunto é facilitar essa descoberta e o início do tratamento.

 

SUA em números

Ainda conforme dados apresentados pelo presidente da Febrasgo no evento, a média de idade na qual as brasileiras apresentam o Sangramento Uterino Anormal é de 24 anos. Os primeiros sintomas são a utilização de roupas mais escuras no período menstrual, o planejamento das atividades sociais e a troca frequente do absorvente.

Antes de tomar qualquer atitude, uma a cada três dessas mulheres busca se informar com familiares e amigas para entender se o seu sangramento pode ser considerado anormal. Metade delas também recorre à internet – por isso a importância de projetos como o Sangramento Uterino Anormal, site mantido pelo grupo internacional de ginecologistas HELP, e o SUA não é normal, iniciativa das Organizações Não Governamentais (ONGs) Crônicos do Dia a Dia (CDD) e Plano de Menina juntamente com a farmacêutica Bayer. Ambos têm apoio da Febrasgo e são fontes seguras de informação sobre o SUA.

Ao menos 80% das mulheres buscam ajuda médica para o problema, mas isso só acontece após quase três anos convivendo com o sangramento anormal. E Lopes ainda alerta: no Brasil, somente três em cada dez mulheres com SUA são de fato diagnosticadas e tratadas.

 

SUA tem tratamento

A boa notícia é que 90% das mulheres com SUA relatam melhora na qualidade de vida após o início do tratamento, segundo o presidente da Febrasgo.

opções cirúrgicas, como a ablação endometrial (procedimento que remove ou destrói o revestimento endometrial do útero) e histerectomia (remoção total do órgão). São menos frequentes e indicadas apenas em casos nos quais há doenças associadas (como mioma e câncer, por exemplo). Lembrando que na maioria dos casos de SUA, não há qualquer condição física que cause o problema.

Os tratamentos mais comuns, portanto, são as opções medicamentosas. Elas se dividem em dois grupos:

  1. Tratamentos hormonais, que consistem em pílulas anticoncepcionais e DIU hormonal.
  2. Tratamentos não hormonais, sendo os principais anti-inflamatórios e ácido tranexâmico.

Lopes reforça que somente o médico ginecologista pode indicar a melhor terapêutica para cada mulher, avaliando características como idade, condições de saúde, impacto na qualidade de vida, contraindicação para hormônios (casos de câncer, por exemplo), entre outras. “Por isso, em caso de dúvidas, é fundamental buscar ajuda de um ginecologista”, garante.

Vale também fazer os testes propostos nos sites que recomendamos aqui para te ajudar a identificar se você tem o problema. Os resultados podem, inclusive, ser levados ao seu médico ginecologista como argumento para a consulta.

O foco deve ser sempre garantir a sua qualidade de vida durante a menstruação, evitando, assim, que esse período mensal se transforme em pesadelo.

 

Fontes:

https://www.sangramentouterinoanormal.com.br/

https://www.suanaoenormal.com.br/pt-br

 

Ela Talks:

https://www.facebook.com/watch/live/?v=1013684542444895&ref=watch_permalink

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