Quando o assunto é câncer, rastrear e prevenir é melhor que remediar

por Feito para Ela
Número de exames para câncer de colo do útero e mama registraram queda durante a pandemia; saiba como ficar longe deles adotando hábitos de vida mais saudáveis

Receber o diagnóstico de um câncer não é simples. Afinal, trata-se de uma doença cheia de complexidades, que mexe com a autoestima e a saúde mental das mulheres e ainda está rodeada de tabus. No entanto, é sempre bom lembrar: a maioria dos tumores, especialmente os que afetam o sexo feminino, pode ser prevenida ou diagnosticada precocemente, ampliando as chances de cura. 

É por esse motivo que a queda no número de exames diagnósticos de cânceres que acometem as mulheres nos últimos dois anos acende um sinal de alerta. Essa diminuição aconteceu principalmente devido à pandemia da Covid-19, quando muitas consultas e procedimentos de diagnóstico e rastreamento precisaram ser adiados ou reagendados para proteger as pacientes do vírus.  

Dados compilados pela Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo) mostram o tamanho desse represamento. Conheça mais abaixo: 

 

Câncer de colo do útero  

Foram realizados 43% menos exames citopatológicos no país em 2020, em comparação com os quase 6,5 milhões de procedimentos registrados no Sistema de Informação do Câncer (SISCAN) em 2019. Em 2021, o número continuou em queda, com 11% menos exames que no ano anterior.  

O exame citopatológico é um teste realizado para detectar alterações nas células do colo do útero que possam predizer a presença de lesões precursoras do câncer, ou do próprio câncer em si. Trata-se da principal estratégia para detectar lesões precocemente.  

Além da queda no número de exames, outra preocupação é o baixo índice de vacinação contra o HPV (Vírus do Papiloma Humano), agente causador desse tipo de câncer. A cobertura vacinal no Brasil alcança 46%, enquanto a Febrasgo defende que, para uma proteção efetiva da população, o número ideal é de 90%. 

A última estimativa do Instituto Nacional de Câncer (Inca), de 2021,  aponta a incidência de 16.710 casos novos, com um risco estimado de 15,38 casos a cada 100 mil mulheres.  

 

Câncer de mama 

Ao menos 62% das mulheres entrevistadas em pesquisa da Federação Brasileira das Instituições Filantrópicas de Apoio à Saúde da Mama (Femama) não realizaram exames para o diagnóstico precoce de câncer de mama entre 2020 e 2021. São procedimentos como mamografia, ultrassonografia ou ressonância, que ajudam a identificar os tumores em estágios iniciais e, assim, ampliar as chances de cura. 

No Brasil, excluindo os tumores de pele não melanoma, o câncer de mama é o mais incidente em mulheres de todas as regiões, com taxas mais altas nas regiões Sul e Sudeste. Estimativa do Inca para o ano de 2022 aponta a ocorrência de 66.280 casos novos, o que representa uma taxa de incidência de 43,74 casos por 100 mil mulheres. 

 

Prevenção é o melhor caminho 

Além de visitar regularmente o médico e realizar os exames recomendados por ele, é importante lembrar que todos os tumores que afetam homens e mulheres são passíveis de prevenção. 

Para tanto, é fundamental adotar hábitos de vida mais saudáveis, que incluem alimentação equilibrada e prática de atividades físicas. Saiba mais nesta lista elaborada pelo Inca: 

  • Não fume: o cigarro libera mais de 7.000 compostos e substâncias químicas que são inaladas por fumantes e não fumantes. O hábito amplia o risco de cânceres como os de pulmão, cavidade oral, laringe, faringe e esôfago, mas também influencia em todos os demais.  
  • Mantenha uma alimentação saudável: priorize a ingestão de alimentos de origem vegetal (frutas, legumes, verduras, cereais integrais e leguminosas) e evite alimentos ultraprocessados, especialmente carnes como presunto, salsicha, linguiça, bacon, salame e mortadela. 
  • Pratique atividades físicas e mantenha o peso corporal: manter o peso saudável e a prática diária de atividade física é fundamental para prevenir o câncer ao longo da vida. Caminhar, pedalar, dançar, trocar o elevador pelas escadas e até levar o cachorro para passear são ótimas opções para ter uma vida mais ativa. 
  • Amamente: além de prevenir contra o câncer de mama, a amamentação exclusiva até os seis meses de idade e prolongada até os dois anos ou mais ainda protege as crianças contra a obesidade infantil. 
  • Evite a ingestão de álcool: o consumo em qualquer quantidade aumenta a incidência de câncer, especialmente quando combinado ao tabaco. Portanto, é melhor evitar. 
  • Exponha-se ao sol com cuidado: evite a exposição entre 10h e 16h e use sempre proteção adequada, como chapéu, barraca e protetor solar, inclusive nos lábios. 
  • Vacine-se: além da vacinação contra o HPV, recomendada para meninas de 9 a 14 anos e meninos de 11 a 14 anos, é importante se imunizar também contra a hepatite B, diretamente ligada ao câncer de fígado. 

 

Fontes:  

https://www.febrasgo.org.br/pt/noticias/item/1436-numerodeexamesdiagnosticosdecanceresqueacometemmulheresreduzemdoisanosnobrasil 

https://femama.org.br/site/noticias-recentes/pandemia-fez-com-que-62-das-mulheres-nao-realizassem-exame-de-mama-diz-pesquisa/ 

https://www.inca.gov.br/causas-e-prevencao/como-prevenir-o-cancer 

https://www.inca.gov.br/controle-do-cancer-do-colo-do-utero/dados-e-numeros/incidencia 

https://www.inca.gov.br/controle-do-cancer-de-mama/dados-e-numeros/incidencia 

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