Anvisa aprova primeiro medicamento não hormonal para tratar fogachos da menopausa

por Feito para Ela

Nova medicação amplia as opções de tratamento para mulheres com sintomas vasomotores moderados a graves, mas não substitui a terapia hormonal, destaca especialista da Febrasgo

Por Letícia Martins, com informações do site Febrasgo

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou, em 22 de junho de 2026, o primeiro medicamento não hormonal desenvolvido especificamente para o tratamento dos sintomas vasomotores moderados a graves da menopausa, como os fogachos (ondas de calor) e suores noturnos.

O medicamento se chama fezolinetanto e será comercializado no Brasil com o nome Veoza®, na apresentação de um comprimido oral de 45 mg.

Para a ginecologista Dra. Rita de Cássia Dardes, da Comissão Nacional Especializada em Climatério da Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo), a chegada do fezolinetanto amplia as possibilidades de cuidado, mas não altera o papel da terapia hormonal como principal tratamento para mulheres que apresentam indicação.

Isso porque o novo medicamento possui uma atuação bastante específica: foi desenvolvido para controlar fogachos e suores noturnos moderados a graves, não sendo indicado para tratar todos os sintomas relacionados à menopausa.

“Por essa razão, a terapia hormonal continua sendo o tratamento mais eficaz para os sintomas vasomotores nas mulheres que apresentam indicação e não possuem contraindicações. Além disso, ela pode trazer benefícios sobre outros componentes do climatério, como sintomas geniturinários e prevenção da perda de massa óssea, dependendo da formulação e da indicação”, esclarece Dra. Rita.

A Febrasgo reforça que a terapia hormonal continua apresentando uma relação benefício-risco favorável para mulheres adequadamente selecionadas, especialmente quando iniciada antes dos 60 anos ou dentro dos primeiros dez anos após a menopausa.

O medicamento ainda não está disponível para comercialização no país. Antes de chegar às farmácias, será necessária a definição do preço pela Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos (CMED), e ainda não há previsão oficial de lançamento.

Como o medicamento age no cérebro

O fezolinetanto não contém estrogênio nem progesterona. Seu mecanismo de ação é completamente diferente da terapia hormonal e atua diretamente no sistema nervoso central.

Durante a transição para a menopausa, a redução dos níveis de estrogênio altera o funcionamento dos neurônios KNDy, localizados no hipotálamo, região do cérebro responsável pelo controle da temperatura corporal. Esse desequilíbrio aumenta a atividade da neurocinina B, tornando o chamado “termostato cerebral” mais sensível e favorecendo o surgimento das ondas de calor e dos suores noturnos.

O medicamento bloqueia seletivamente o receptor NK3, impedindo a ação da neurocinina B e ajudando a restabelecer o equilíbrio do centro termorregulador.

“Uma maneira didática de explicar é que ele funciona como se ajudasse a recalibrar o termostato do cérebro, que se torna desregulado pela queda do estrogênio”, explica a ginecologista.

Para quem o tratamento é indicado

As principais candidatas ao novo tratamento são mulheres que apresentam fogachos e suores noturnos moderados ou intensos, capazes de comprometer o sono, o desempenho no trabalho, a disposição e a qualidade de vida.

O fezolinetanto também pode representar uma alternativa importante para mulheres que possuem contraindicação à terapia hormonal sistêmica, que apresentaram efeitos adversos ou resposta insuficiente ao tratamento hormonal ou que, após receberem orientação médica adequada, optam por uma abordagem não hormonal.

Além disso, a medicação pode ser considerada quando a avaliação clínica demonstra que a terapia hormonal não é a melhor opção para determinada paciente.

Cautela em mulheres com câncer de mama

O fato de o fezolinetanto ser um medicamento não hormonal desperta grande interesse entre mulheres com histórico de câncer de mama ou outros tumores hormônio-dependentes. No entanto, a especialista alerta que isso não significa que o tratamento esteja automaticamente indicado para todas essas pacientes.

“É preciso ter cuidado especial ao falar sobre câncer de mama. Nas mulheres em tratamento oncológico, a indicação deve ser compartilhada com o oncologista, porque os estudos específicos nessa população ainda estão em andamento”, enfatiza a Dra. Rita de Cássia.

Uso exige avaliação médica

Apesar da novidade, a especialista alerta que o medicamento não deve ser utilizado sem orientação médica. Antes da prescrição, é necessário avaliar o histórico clínico da paciente, especialmente doenças hepáticas e renais, além dos medicamentos em uso, devido ao risco de interações medicamentosas.

Outro ponto importante é que o fezolinetanto não possui efeito anticoncepcional. Mulheres que ainda estão na transição menopausal e mantêm possibilidade de gestação devem utilizar métodos contraceptivos adequados.

Inscreva-se para receber os conteúdos mais importantes sobre saúde da mulher, bem-estar, empreendedorismo, carreira e muito mais!