Implanon: implante contraceptivo passa a ser oferecido pelo SUS

por Feito para Ela

Por Letícia Martins, jornalista com foco em saúde

Método de longa duração e alta eficácia amplia as opções de planejamento reprodutivo na rede pública.

O Sistema Único de Saúde (SUS) passou a oferecer o implante subdérmico contraceptivo liberador de etonogestrel, conhecido comercialmente como Implanon® e popularmente como “chip anticoncepcional”. Considerado um método altamente eficaz e de longa duração, o implante atua no organismo por até três anos e representa um avanço nas políticas públicas de prevenção da gravidez não planejada no Brasil.

A incorporação do novo contraceptivo amplia o acesso a métodos reversíveis de longa duração, os chamados LARC (do inglês Long-Acting Reversible Contraceptives), que se destacam por não dependerem do uso contínuo ou correto por parte da usuária, como ocorre com anticoncepcionais orais (pílulas) ou injetáveis. Até então, entre os métodos disponibilizados pelo SUS, apenas o DIU de cobre integrava essa categoria.

Incorporação e investimento público

A decisão de incorporar o implante contraceptivo ao SUS foi aprovada pela Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no Sistema Único de Saúde (Conitec) em julho de 2025. Desde então, o Ministério da Saúde vem realizando a atualização das diretrizes clínicas, a aquisição e distribuição do insumo, além da capacitação e habilitação de profissionais para inserção e retirada do método nas Unidades Básicas de Saúde.

Segundo o Ministério da Saúde, a medida integra um conjunto de ações voltadas ao fortalecimento do planejamento sexual e reprodutivo, com potencial impacto também na redução da mortalidade materna.

A estimativa da pasta é distribuir 1,8 milhão de dispositivos até 2026. O investimento total previsto é de aproximadamente R$ 245 milhões. No mercado privado, o implante pode custar entre R$ 2 mil e R$ 4 mil, valor que antes limitava o acesso ao método.

Sobre o método

O implante subdérmico é inserido sob a pele do braço e libera continuamente o hormônio etonogestrel, garantindo proteção contraceptiva por até três anos sem necessidade de intervenções durante esse período. “Por não conter estrogênios, o implante contraceptivo pode ser usado por quase todas as mulheres”, explica a ginecologista Dra. Ilza Maria Urbano Monteiro, presidente da Comissão Nacional Especializada em Anticoncepção da Febrasgo.

Ao final desse tempo, o dispositivo deve ser retirado e, se houver desejo, um novo implante pode ser colocado imediatamente pelo próprio SUS. A fertilidade retorna rapidamente após a remoção.

Os métodos LARC são considerados seguros, reversíveis e altamente eficazes, sendo recomendados como estratégia importante no planejamento reprodutivo, especialmente para mulheres que desejam uma opção de longa duração e baixa taxa de falha.

Métodos contraceptivos disponíveis no SUS

O SUS oferece gratuitamente os seguintes métodos contraceptivos:

  • Implante subdérmico;
  • DIU de cobre;
  • Preservativo externo e interno;
  • Anticoncepcional oral combinado (pílula contraceptiva);
  • Pílula oral de progestagênio (pílula sem estrogênio);
  • Injeções hormonais mensal e trimestral;
  • Laqueadura tubária bilateral;
  • Vasectomia.

Entre esses métodos, apenas os preservativos oferecem proteção contra Infecções Sexualmente Transmissíveis (ISTs). Portanto, não se esqueça: se você optar por qualquer método contraceptivo para prevenir a gravidez, use sempre a camisinha.

Inscreva-se para receber os conteúdos mais importantes sobre saúde da mulher, bem-estar, empreendedorismo, carreira e muito mais!