No Dia Mundial da Menopausa, especialista da Febrasgo explica os sintomas dessa fase da vida da mulher e os benefícios e riscos da terapia hormonal
Ondas de calor que atrapalham a rotina, noites mal dormidas, mudanças no humor e desconforto nas relações sexuais. Para muitas mulheres, a aproximação da menopausa vem acompanhada de sintomas que afetam o bem-estar. Embora seja uma etapa natural da vida, ela merece atenção e cuidado individualizado.
“A menopausa não deve ser sinônimo de sofrimento ou perda de qualidade de vida”, afirma a médica ginecologista Dra. Lucia Helena Costa Paiva, presidente da Comissão Nacional Especializada (CNE) em Climatério da Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo).
Celebrado em 18 de outubro, o Dia Mundial da Menopausa é uma oportunidade para esclarecer dúvidas e combater preconceitos que ainda cercam o tema. Segundo a médica, o Brasil tem cerca de 34 milhões de mulheres no climatério, com idade ao redor de 40 a 65 anos. A menopausa corresponde à última menstruação e ocorre, em média, por volta dos 50 anos.
Os sintomas podem começar antes da última menstruação
As mudanças nem sempre esperam a menstruação cessar de vez para aparecer. “Para muitas mulheres, os sintomas podem se iniciar já alguns anos antes da menopausa”, explica a especialista.
Além das ondas de calor, podem ocorrer alterações do sono e do humor, dificuldades de memória, ressecamento vaginal, dor nas relações sexuais e diminuição da libido. Esses sintomas podem interferir em diferentes aspectos da vida, mas a experiência não é igual para todas.
“Cada mulher vivencia essa transição de maneira única”, ressalta a Dra. Lucia. Por isso, o acompanhamento precisa considerar o que cada uma sente e como essas mudanças afetam seu dia a dia.
O cuidado vai além do alívio dos sintomas
Reconhecer os desconfortos e conversar com o ginecologista são passos importantes para compreender essa fase e conhecer as opções de cuidado. Alimentação e atividade física também fazem parte dessa conversa.
“Cuidar da mulher na menopausa é olhar para a saúde de forma integral”, destaca a médica. A orientação envolve tanto os hábitos de vida quanto as alternativas terapêuticas disponíveis, de acordo com as necessidades de cada mulher.
Quais são os benefícios da terapia hormonal
Entre as opções de tratamento está a terapia hormonal (TH). “A terapia hormonal da menopausa é o tratamento mais eficaz para os sintomas da perimenopausa e da menopausa”, afirma a especialista. A indicação, porém, exige uma avaliação criteriosa.
Entre os benefícios estão o alívio das ondas de calor e da sudorese noturna, que pode contribuir para melhorar o sono. O tratamento também pode melhorar o ressecamento vaginal, a dor nas relações sexuais e sintomas urinários.
A prevenção da perda óssea e a redução do risco de fraturas por osteoporose também estão entre os benefícios apontados pela médica. O tratamento pode melhorar a qualidade de vida, especialmente quando as ondas de calor comprometem o bem-estar.
Os riscos precisam ser avaliados individualmente
A escolha do tratamento leva em conta diferentes fatores. “Os riscos variam conforme a idade, o tempo desde a menopausa, a formulação e a via de administração”, explica a Dra. Lucia.
Entre os riscos a considerar estão o tromboembolismo venoso, relacionado à formação de coágulos nas veias, o acidente vascular cerebral (AVC) e o câncer de mama. A avaliação depende do esquema terapêutico e do tempo de uso, além das características de cada mulher.
Sobre quem pode se beneficiar, a médica esclarece: “Para mulheres saudáveis, quando a terapia é iniciada antes dos 60 anos ou até 10 anos desde a menopausa e sem contraindicações, os benefícios geralmente superam em muito os riscos”.
Uma decisão compartilhada com a mulher
A conversa com o ginecologista deve abrir espaço para dúvidas, expectativas e preferências. A escolha precisa considerar os sintomas e a avaliação individual dos benefícios e riscos, com base em evidências científicas.
Neste Dia Mundial da Menopausa, a especialista reforça a importância de ampliar o conhecimento, combater mitos e garantir acesso a uma assistência qualificada durante o climatério e após a menopausa.
“Informação de qualidade é parte fundamental do cuidado à saúde da mulher”, conclui a Dra. Lucia.

