Brasileiras mudam hábitos alimentares na pandemia

por Feito para Ela

Pesquisa revela que o isolamento social teve impacto no comportamento alimentar e saúde mental das mulheres de todo país

Estudo recente feito pela Universidade de São Paulo (USP), com mais de 1.183 mulheres revelou que a pandemia modificou de forma drástica o comportamento alimentar das brasileiras. De acordo com a pesquisa, o hábito de cozinhar cresceu mais de 28%, porém os pedidos por alimentos via delivery cresceu mais de 146%. A adesão por dietas de controle de peso caiu 41%, da mesma forma que as compras em supermercados atingiram uma baixa de 34%.

Segundo o professor da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP), Bruno Gualano, “a pesquisa revela que o confinamento alterou o comportamento de todas as participantes, independentemente do estado nutricional. O chamado ‘comer emocional’ aparece de forma mais marcante entre as voluntárias obesas ou com sobrepeso – algo que deve ser levado em conta ao pensarmos em políticas públicas para o novo normal da mulher brasileira”, conclui o professor que foi coautor da pesquisa, liderado por Carolina Nicoletti Ferreira, também da FMUSP.

As faixas etárias das entrevistadas foram de 18 a 72 anos, com média geral em cerca de 34 anos, das principais regiões do país. As características do grupo pesquisado correspondem a mulheres da classe média, justamente aquelas que no momento da pesquisa tinham mais condições de permanecer em confinamento.

Aspectos emocionais

A análise dos dados da pesquisa revelou o aumento de hábitos alimentares pouco saudáveis, como a substituição de refeições por lanches, e o crescimento do consumo de ‘beliscos’ antes das refeições principais. Invariavelmente há uma associação de sentimentos de depressão, estresse, tristeza e solidão como fator associado ao consumo desequilibrado de alimentos.

Um dos dados que chama bastante atenção foi a queda de 41% na adesão de dietas e receitas consideradas milagrosas. Como naturalmente essas dietas geram um estresse natural, com a chegada da pandemia isso foi potencializado fazendo com que as mulheres simplesmente abandonassem a imposição extra das dietas.

O professor e pesquisador Bruno Gualano comenta ainda que todo esse comportamento também revela um quadro de descomprometimento com a própria saúde e muito relacionado ao isolamento social. Assim, as mulheres passam mais tempo sentadas, praticam menos exercícios físicos, e começaram a fumar e consumir bebidas alcoólicas em maior quantidade do que antes do isolamento.

Com o prolongamento da pandemia e a adaptação do trabalho em home office, os novos hábitos que foram assumidos como temporários, tendem a ser tornar permanentes. Desta forma, a atenção especial com os hábitos alimentares deve ser prioridade para todas as pessoas.

Por fim, Gualano, sugere que as autoridades públicas poderiam iniciar um trabalho de conscientização sobre os problemas alimentares a médio e longo prazos, sobretudo com as populações mais vulneráveis e que têm menos acesso à informação. Justamente para evitar que ocorra um agravamento nos índices de doenças crônicas devido a deficiência alimentar, fomentadas pela pandemia, insegurança social e o desemprego.

(Fonte – Agência FAPESP)

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