Convivência na pandemia entre mães e filhas

por Feito para Ela

O isolamento social trouxe uma série de consequências e interferiu bastante na relação entre mães e filhas adolescentes

O cenário da pandemia, que transformou nosso dia a dia, já é comum em grande parte dos lares e ele nos foi “imposto” desde março de 2020. Mães que trabalhavam em escritórios passaram a exercer suas atividades em casa por conta das restrições que a pandemia de COVID-19 trouxe para todos e sem perspectivas de um retorno ‘normal’ definitivo. Já as adolescentes que frequentavam a escola passaram a ter aulas online e ficaram privadas da convivência presencial, principalmente com amigos, o que fez com tivesse uma ruptura na sua rotina.

Diante disso tudo, resta uma pergunta: essa situação terá levado à relação conflitos dentro das casas entre mães e filhas? De acordo com Eliano Pellini, ginecologista e chefe do setor de Saúde e Medicina Sexual, da Faculdade de Medicina do ABC, isso pode ser bem relativo. “Quem tinha uma relação harmoniosa antes da pandemia, na grande maioria das vezes, não só manteve a qualidade dessa interação como aumentou a parceria. Mães e filhas ficaram mais próximas, houve um ganho nos componentes emocionais. Agora, para quem já tinha uma relação conflituosa ou de certo distanciamento, a convivência no mesmo espaço pode ter se tornado um grande problema”, diz Pellini.

Convivência remota

Entre as principais dificuldades enfrentadas e que contribuíram numa piora desse relacionamento foi a alta convivência das adolescentes com o excesso do uso dos meios virtuais.

“O contato digital, ou remoto, passou a ser exacerbado em muitos casos. Não estou falando só das mídias digitais, mas também das transmissões via streaming, como o YouTube. O distanciamento dos amigos e o comportamento isolacionista acarretaram numa série de problemas para elas. Isso porque a rotina da pessoa vira uma ‘bagunça’, como a mudança no horário de sono que acarreta numa série de consequências para a saúde”, diz Pellini, reforçando ainda os frequentes casos de depressão, ansiedade, saúde sexual prejudicada, desleixo com a aparência, transtornos alimentares e muito mais. “O confinamento e o distanciamento só fizeram aumentar esses problemas”, comenta Pellini.

Outro aspecto que pode ser destacado é que as adolescentes que já tinham vida sexual ativa pararam de tomar anticoncepcionais. Sabe-se que hoje eles não só funcionam para evitar a gravidez como ajudam na qualidade da pele, do cabelo e de praticamente eliminar as tensões pré-menstruais.

Tecnologia a favor

Uma rotina é a primeira ação que uma mãe deve tentar estabelecer por meio de um diálogo saudável. Definir horários para dormir, comer, estudar e, claro, se divertir. “Estudos apontam que o ideal seria uma hora e meia longe das telas, para cada três horas junto delas. Aproveitar esse tempo “não virtual” para atividades físicas ou para realizar tarefas domésticas, ajudando a mãe nesses afazeres. Não ficar de pijama o dia inteiro, cuidar da aparência, da higiene. Tudo é importante. Agora, se a adolescente é refratária a essas orientações, é preciso buscar apoio de profissionais de saúde”, alerta Pellini.

E se a tecnologia pode ser prejudicial essa também pode ser uma aliada. “Estimular encontros virtuais com os amigos também é um caminho interessante a ser seguido, desde que com regras estabelecidas. Com o advento das vacinas, progressivamente um comportamento híbrido será visto, misturando virtual e real, e todos nós vamos ter que nos adaptarmos a essa nova realidade”, diz o médico.

A convivência demanda uma série de desafios e a superação das dificuldades deve ser mediada pela busca do diálogo e de uma relação saudável. Diante do conflito é fundamental a ponderação, pois em tempos de pandemia e de um novo perfil de intensa convivência, os ânimos podem ser aflorados e nesse momento o equilíbrio emocional é o que todos almejam para viver melhor.

Enfim, temos que aprender com as dificuldades e nos tornarmos seres humanos melhores. Certamente uma relação harmônica e de respeito entre mãe e filha está dentro desse contexto”, finaliza o ginecologista.

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