Sororidade, um caminho que pode transformar a relação entre mulheres

por Feito para Ela
Sentimento une as mulheres em uma rede de solidariedade, empatia e companheirismo

O termo sororidade é relativamente novo e surgiu como contraponto em relação ao feminismo. A sororidade tem como objetivo redefinir o relacionamento entre mulheres através do respeito mútuo e da empatia. Falar em sororidade é falar em união, e transmitir a ideia de que juntas somos mais fortes. ELA entrevistou sobre o tema a jornalista e mestre em filosofia pela Universidade de Lisboa, Margot Cardoso. A filósofa assegura que “hoje o movimento feminista é malvisto, não só porque se criou uma áurea pejorativa em torno dele, como as próprias mulheres criaram ações de segregação entre elas, formando facções e grupos antagônicos. Ou seja, o que foi criado para combater uma construção histórica de diferenças entre homens e mulheres, acabou, de certa forma, contribuindo para que ideias e ações nesse sentido permaneçam. Acredito que a sororidade é uma nova forma de agir, aparecendo como alternativa, ou substituição ao feminismo”, completa Margot.

Um grande desafio para que a prática seja executada e que possa se proliferar é exatamente a pluralidade humana, nesse caso especificamente a feminina. “Nesse processo de dominação masculina de séculos, muitas mulheres assimilaram o discurso dos homens. É o pensamento deles que predomina. Não há uma formação libertadora, mais parecendo que o oprimido deseja ser o opressor. Poucas mulheres têm a visão que muita coisa tem que mudar. O caminho para reverter esse cenário é o da educação familiar e o da conscientização. O primeiro passo tem que ser dado pelos pais”, fala Margot.

Subjetividade e senso crítico

O consenso é que mulheres criadas para serem conscientes de seus direitos devem praticar a sororidade, definida pela filósofa como um “pacto ético emocional entre elas”. Para isso, é necessário que cada uma construa sua própria subjetividade, o que colabora sobremaneira para a formação de um senso crítico. Para Margot, o primeiro objetivo comum que deve ser combatido é a violência contra a mulher. “Falo de todo o tipo de violência. Psicológica, física, no trabalho, em casa. Muitas vezes a mulher denuncia comportamentos agressivos e são desacreditadas pelo universo machista. Pasmem, muitas mães criam seus filhos de forma machista, contribuem para esse absurdo. O segundo objetivo seria o apoio emocional entre as participantes. E o terceiro seria criar uma união política para diversas causas, entre elas o mercado de trabalho e a questão ambiental, citando apenas alguns exemplos”.

Para Margot, a mulher tem uma visão estratégica diferente da dos homens. Não só isso, mas outras características como acolhimento, sensibilidade e perseverança, certamente ajudarão na construção de um mundo melhor, mais justo. Mas como praticar a sororidade? Para a filósofa é preciso “formar grupos, comunidades, em torno de um interesse e objetivo comum, partilhando ideias e conhecimento, interagindo de forma construtiva. Mas, para ser uma participação efetiva, a mulher tem que se enxergar dentro desse objetivo e das ações que são propostas, sem radicalismos. Além da construção de um mundo melhor, individualmente falando, teremos mulheres com mais autoestima, fortalecidas, empoderadas e seguras. Entretanto, é preciso deixar para trás a natureza competitiva e a rivalidade que muitas vezes são alimentadas dentro do universo feminino. E para facilitar a sororidade, a tecnologia está aí, para unir, acabar com as distâncias. Ela pode sim ser uma grande aliada dentro desse movimento”, finaliza.

CONHEÇA ALGUMAS AÇÕES DA SORORIDADE

#MexeuComUmaMexeuComTodas

A hashtag foi uma das reações à denúncia de assédio da figurinista Su Tonani contra o ator da Globo José Mayer. O movimento teve adesão quase que total do mundo artístico. Nas manifestações de rua, ela foi largamente repetida. Os principais perfis em redes sociais estão no Instagram e Twitter

Instagram

https://www.instagram.com/explore/tags/mexeucomumamexeucomtodas/

Twitter

https://twitter.com/hashtag/mexeucomumamexeucomtodas

#MeToo

Mais uma hashtag (usada no Brasil como #EuTambém) que impulsionou mulheres a relatar suas histórias de abuso sexual nas redes sociais. Dessa vez, o gatilho foi a denúncia de assédio que derrubou o produtor hollywoodiano Harvey Weinstein. O movimento teve forte manifestação em eventos como Oscar, Globo de Ouro, Festival de Cannes, entre outros, que acabaram se tornando palco de protesto. Saiba mais em https://metoomvmt.org/

Time’s Up

Em apoio ao #MeToo, um grupo formado por mais de 300 atrizes, produtoras e executivas da indústria do cinema criou um plano de ação contra a violência sexual. O projeto Time’s Up (https://timesupnow.org/) foi lançado no primeiro dia de 2018 por meio de um comunicado assinado por mulheres do show business americano, como Natalie Portman, Reese Witherspoon e Emma Stone.

Beta, o robô feminista

Quando uma pauta importante para as mulheres está para ser debatida pelos governantes em Brasília, Beta (ou Betânia) (https://www.beta.org.br/) envia mensagens aos seus seguidores com instruções e estratégias para se posicionarem. Essa é a ideia da ferramenta, que age por meio do inbox do Facebook e informa as mulheres sobre os seus direitos.

Teoria do brilho

O termo em inglês “shine theory” foi cunhado pela jornalista norte-americana Ann Friedman para propor a sororidade também no ambiente de trabalho. Segundo ela, o objetivo é apoiar e exaltar o sucesso das colegas para que todas consigam brilhar juntas. Saiba mais em https://www.hypeness.com.br/2019/03/teoria-do-brilho-mulheres-que-apoiam-mulheres-sao-mais-bem-sucedidas/.

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