A mulher brasileira no século 21: poder de escolha e luta por igualdade

por Feito para Ela
Mulheres conquistam cada vez mais espaço na sociedade e passam a ocupar múltiplos papéis, mas ainda precisam cobrar direitos igualitários no mercado de trabalho

A mulher brasileira já foi sinônimo de escrava e objeto sexual quando aqui desembarcaram os portugueses lá pelos idos de 1500. Ao longo dos séculos, tornou-se símbolo de família e maternidade, responsável pelos cuidados com o lar e protagonista de propagandas machistas de eletrodomésticos da década de 1950, sempre ocupando um papel de subordinação ao pai/marido. Mas foi também no século 20 que ela conquistou muitos de seus direitos, como o de escolher seus representantes políticos e, também, de condições mais igualitárias no mercado de trabalho. Então, quem é a mulher brasileira dos anos 2022? 

Primeiro, somos maioria: de acordo com os dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) Contínua 2019, feita pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a população brasileira é composta por 48,2% de homens e 51,8% de mulheres. Até os 24 anos, os homens são maioria, mas a partir dos 25 a proporção de mulheres é maior em todos os grupos de idade. 

Muito disso se deve ao fato, também, de que as mulheres vivem mais: desconsiderados os efeitos da pandemia da Covid-19, a expectativa de vida do brasileiro ao nascer em 2020 seria de 73,3 anos para os homens e 80,3 anos para as mulheres. 

 

Mercado de trabalho 

No mercado de trabalho, elas ainda ganham menos que eles e estão mais suscetíveis a perder o emprego. De acordo com o Global Gender Gap Report 2021, estudo do Fórum Econômico Mundial, precisamos de 267 anos para que as mulheres alcancem o mesmo salário que os homens em posições similares. E a pandemia só agravou o cenário, como mostra outro dado do levantamento: 5% das mulheres perderam seus empregos durante o período em todo o mundo, contra 3,9% dos homens.  

Isso acontece principalmente porque, com ou sem pandemia, as mulheres acumulam as tarefas domésticas que, somadas ao trabalho remunerado, culminam numa jornada feminina de, em média, 54 horas semanais. Apenas uma em cada quatro mulheres diz dividir igualmente as tarefas relacionadas à criação dos filhos. E embora 54,6% das brasileiras entre 25 a 49 anos more com crianças de até 3 anos, somente 36,2% dessas crianças frequentam escola ou creche. Os dados são, também, do IBGE e foram colhidos entre os anos de 2018 a 2020. 

Com tantas dificuldades, as mulheres em cargos de liderança ainda são raridade: conforme um estudo da B3 com 408 companhias listadas na Bolsa de Valores paulista, a cada 100 dessas companhias, apenas seis têm três ou mais mulheres em cargos de diretoria. Um quarto delas têm apenas uma e em 61% esse número é igual a zero. 

 

Poder de escolha 

Embora ainda haja dificuldades quando o assunto é igualdade de gênero, é fato que o poder de escolha das mulheres aumentou muito nos últimos anos. Hoje elas podem optar por desempenhar diferentes papéis na sociedade com muito mais tranquilidade. 

Um exemplo desse poder de escolha está no fato de que 37% das brasileiras não querem ter filhos, segundo pesquisa global realizada pela farmacêutica Bayer, com apoio da Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo) e do Think about Needs in Contraception (TANCO).  

Mas também está na escolaridade: em relação à população masculina, elas estudam e se preparam mais para a carreira profissional. A proporção de homens com ensino superior é de 15,1% no Brasil, enquanto as mulheres representam 19,4%. 

 

De bem com a idade e o corpo 

O poder de escolha passa ainda por uma preocupação menos obsessiva com o envelhecimento e uma maior busca pelo prazer sexual. Ambos são reflexos de que a mulher, aos poucos, deixa de ver seu corpo como um objeto para agradar o homem e as pressões sociais inalcançáveis. O corpo é dela e se houver um parceiro – ou parceira – para desfrutar junto, ótimo. Se não tiver, tudo bem também, porque cada vez mais a mulher entende que se basta em si mesma. E, como reflexo disso, o número de registros de casamentos civis caíram 26,1% em 2020, a maior queda da série histórica do IBGE.  

Embora 86% das buscas de mulheres na internet sobre alimentação saudável ainda sejam voltadas para dietas emagrecedoras, a beleza está mais livre de padrões, dando lugar a termos como transição capilar e body positive, que incentiva as mulheres a se amarem como são. Temas ligados à saúde da mulher e maternidade também são muito buscados, ao lado de informações sobre saúde sexual.  

É, mulheres… o caminho para garantir igualdade de gênero e de oportunidades ainda é longo. Mas com o poder de escolha conquistado, a cada dia as brasileiras ganham mais energia para encurtar essa distância.  

 

Fontes:  

https://www.ibge.gov.br/estatisticas/sociais/trabalho/17270-pnad-continua.html?edicao=32275&t=noticias-e-releases 

https://cndl.org.br/varejosa/7-aspectos-da-mulher-brasileira-que-inovarao-o-marketing-da-empresa/ 

https://g1.globo.com/economia/noticia/2021/11/18/registros-de-casamento-e-nascimento-no-brasil-tem-queda-em-2020-aponta-ibge.ghtml 

https://www.uol.com.br/universa/noticias/redacao/2019/09/25/diafragma-esta-em-alta-conheca-os-pros-e-contras-do-metodo-contraceptivo.htm 

https://www.cnnbrasil.com.br/business/liderancas-femininas-em-empresas-ainda-sao-raridade-no-brasil-diz-estudo-da-b3/ 

https://www.weforum.org/reports/global-gender-gap-report-2021 

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