Adenomiose: você sabe o que é esta doença que pode causar infertilidade?

por Feito para Ela

Ainda pouco conhecida, a adenomiose pode passar despercebida pela falta de sintomas. Saiba como diagnosticá-la e tratá-la.

Por Letícia Martins, jornalista especializada em saúde

Existem doenças que afetam o aparelho reprodutor das mulheres e colocam em risco não só a fertilidade como também a qualidade de vida. Uma dessas condições é a adenomiose, que atinge principalmente mulheres entre 40 e 50 anos, mas pode aparecer em pacientes mais jovens com quadro de sangramento uterino anormal e/ou dor pélvica. Mas o que é esta doença de nome pouco conhecido?

A adenomiose ocorre quando o tecido que reveste o útero, chamado endométrio, cresce de forma anormal no miométrio, camada muscular do útero. Essa alteração pode gerar problemas de fertilidade nas mulheres.

A ginecologista Dra. Márcia Mendonça Carneiro, membro da Comissão Nacional Especializada em Endometriose da Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (FEBRASGO), explica que nem sempre a adenomiose apresenta sintomas. No entanto, em alguns casos ela pode causar sangramento menstrual excessivo, dor na parte inferior do abdômen (dor pélvica) e cólicas menstruais intensas.

Segundo a médica, a “causa da doença ainda não está estabelecida, mas acredita-se que a exposição ao hormônio feminino estrogênio contribua para o desenvolvimento da doença”. Entre os fatores de risco envolvidos no aparecimento da adenomiose destacam-se:

  • Primeira menstruação (menarca) precoce, antes dos 10 anos de idade;
  • Ciclos menstruais curtos, isto é, com menos de 24 dias de intervalo;
  • Uso de contraceptivos hormonais;
  • Uso de tamoxifeno, medicamento para tratar câncer de mama;
  • Obesidade;
  • Mais de duas gestações;
  • Histórico de abortamento; e
  • Histórico de cirurgias no útero.

Diagnóstico

Como nem todas as mulheres apresentam sintomas, costuma ser difícil diagnosticar a adenomiose. Assim, o exame mais indicado é a ultrassonografia transvaginal e, dependendo da situação, o médico pode solicitar também a ressonância magnética. Em alguns casos específicos pode haver ainda a necessidade de fazer uma histeroscopia, exame que enxerga o interior do útero e canal endocervical.

A Dra. Márcia também esclarece que a adenomiose é benigna, ou seja, não existe risco de evoluir para um câncer, mas diante dos sintomas acima, a avaliação médica é recomendada. Infelizmente ainda não existe prevenção, mas graças à evolução da medicina há tratamentos eficazes.

Tratamentos disponíveis

O tratamento varia conforme a manifestação da doença, podendo ser medicamentoso ou cirúrgico. “Para as mulheres que desenvolvem adenomiose sintomática, o tratamento engloba tanto o uso de medicação quanto o emprego de técnicas cirúrgicas conservadoras, que mantêm o útero e as chances de gravidez”, afirma a Dra. Márcia, que também é professora titular do Departamento de Ginecologia da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG).

O tratamento medicamentoso se baseia no uso de hormônios que bloqueiam a menstruação. “Ainda não foi estabelecida a melhor forma de tratamento para a adenomiose. As dificuldades estão relacionadas à presença de sintomas variados e à associação com outras condições ginecológicas, como miomas, pólipos e endometriose”, esclarece a médica da FEBRASGO.

Embora não haja prevenção, como citado anteriormente, a Dra. Márcia ressalta a importância de todas as mulheres adotarem um estilo de vida saudável para manter a saúde reprodutiva. Adotar uma alimentação equilibrada, fazer atividade física regular, perder o peso, se estiver com sobrepeso ou obesidade, e usar preservativo para evitar infecções sexualmente transmissíveis, são algumas recomendações fundamentais.

Inscreva-se para receber os conteúdos mais importantes sobre saúde da mulher, bem-estar, empreendedorismo, carreira e muito mais!