Mulheres na liderança: desafios ainda são muitos

por Feito Para Ela

Presença feminina cresce em cargos importantes, mas caminho ainda requer evolução

Todos sabem que as mulheres ocupam cada vez mais postos de trabalho em setores, historicamente, masculinos. O relatório “Mulheres nos Negócios”, da Grant Thornton, organização global de auditoria e consultoria, demonstrou que elas ocuparam 29% das funções de liderança em companhias de todo o mundo em 2019 – o número mais alto da história.  Entretanto, é sabido que falta, ainda muito, para que as mulheres alcancem o mesmo status dos homens – em equivalência salarial, oportunidades e… respeito.

Para saber mais das mulheres ocupando espaços antes masculinos, fomos conversar com duas líderes. A Jéssica Costa, engenheira de 29 anos, tem o desafio de ser a líder de uma “tribo”, que é como chamam os agrupamentos de times de desenvolvimento de produtos digitais na ioasys – uma empresa de consultoria em inovação – gerenciando 33 colaboradores.

Para ela, o fato de ser mulher – e jovem – é o suficiente para impor desafios maiores do que os impostos aos homens.

“Muitas vezes recebi olhares machistas e havia os que perguntavam ‘o que eu estava fazendo ali’, já que aparento ser mais nova do que sou”, lembra Jéssica. “E também fui tratada de formas diferentes, de acordo com o como estava vestida” entrega.

A cultura instaurada na sociedade leva os homens – e ainda, algumas mulheres, a ter dificuldade em enxergar a liderança nas mulheres. “O fato de trabalhar em TI, uma área predominantemente masculina, sempre me fez questionar se eu ia conseguir desempenhar bem o meu papel, se ia ser melhor que o colega do sexo masculino”, declara Jéssica, trazendo à tona um sentimento enraizado nas mulheres, que é a sensação de não pertencer, ou não ter o direito às suas conquistas.

A especialista em liderança feminina e consultora, Allessandra Canuto, tem, entre seus conselhos na formação de líderes há 15 anos, alguns recados para a mulher evitar essa armadilha.

“Se aproprie de todo seu repertório, não só o intelectual e profissional, mas também o familiar, de relacionamentos afetivos e toda a dinâmica que você construiu para chegar até aqui”.

Sentir que está no lugar certo e no tempo certo ajuda a ter segurança na hora de enfrentar os questionamentos e os “olhares”.

Allessandra fala também sobre se manter conectada à força do feminino. “A liderança da mulher tem que vir daí. Não é pra imitar a força do homem” aconselha. Na prática, a consultora recomenda utilizar a comunicação assertiva, empática e não violenta. “Sem ser grosseira, mas sendo firme, você deve mostrar sua potência. Se aproprie do seu lugar sem receio”, recomenda.

Essas táticas também ajudaram Jéssica e os desafios a fizeram sempre buscar ser melhor. E a consultora de liderança reforça que aquilo que acontecer ao longo da carreira da profissional deve virar aprendizado. “Nenhuma mulher deve desistir porque o ambiente certamente será hostil, mas os desafios têm que servir de alavanca”, comenta.

Allessandra fala em não “retroalimentar o modus operandi” do machismo. As mulheres sofrem a desqualificação velada e ao percebê-la, ela deve jogar em seu favor. Fazer o que deve ser feito e mostrar, de forma natural e não violenta, como transformou o viés e como está sendo desqualificada.

Outro desafio nas carreiras das mulheres não está nas empresas e sim dentro de casa. Jéssica ressalta que a cultura de que a mulher é que tem que cuidar do lar está tão enraizada que é normal que a profissional se sinta culpada por não cuidar direito da casa, do marido, dos filhos.

“Mas, peraí! Trabalhamos a mesma quantidade de horas, contribuímos com a renda da casa, por que as tarefas não são dividas igualmente? Hoje, eu e meu marido já conseguimos dividir todas as tarefas”, comemora Jéssica.

E, por fim, uma barreira que não deve ser eliminada, mas sim, transformada em degrau: as emoções. “Algumas vezes vamos chorar, outras vamos ficar eufóricas e precisamos aprender a aceitar isso” diz a engenheira.  As emoções fazem parte da essência feminina e podem contribuir para uma gestão mais humana – e não menos racional – e para resultados eficientes.

Agora que as garotas conquistaram espaço em todas as áreas profissionais, elas têm que ter mais visibilidade, devem ser respeitadas nessa posição de destaque e podem demonstrar que diferenças entre os sexos só contribuem para o sucesso da empresa.

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