Os desafios e oportunidades da mulher no mercado de trabalho híbrido

por Feito para Ela
Pesquisa aponta que 43% das mulheres gostariam de aderir ao modelo parte remoto, parte presencial. Mas 56% temem impacto negativo no desenvolvimento profissional

O home office foi uma das principais estratégias adotadas por negócios de diversos setores da economia para manter a operação durante a pandemia da Covid-19. Segundo estudo divulgado pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) ainda em 2021, ao menos 11% dos trabalhadores ativos no Brasil exerceram suas atividades de forma remota. E embora a vacinação tenha trazido mais segurança para retomar as atividades presenciais, muitas empresas vêm optando por um formato híbrido de trabalho, ou seja, parte dos dias no escritório e parte na casa do colaborador – ou do local que ele preferir, basta ter uma conexão à internet.

Os reflexos desse cenário são específicos para uma parcela importante dos trabalhadores brasileiros: as mulheres. Mesmo antes da pandemia elas já eram vistas como as principais responsáveis pelo cuidado com os filhos e a casa – algo que piorou significativamente durante o período de isolamento social. A carga da dupla – ou tripla, ou quádrupla – jornada segue como um fator complicante para o desenvolvimento da mulher no mercado de trabalho.

O relatório Global Gender Gap Report 2021, produzido pelo Fórum Econômico Mundial com dados do Instituto Internacional de Pesquisas (Ipsos), apontou que mulheres com filhos foram as que mais trabalharam em horas pouco convencionais, como nas primeiras horas da manhã ou tarde da noite, durante a pandemia. Outra pesquisa, realizada pelas organizações Gênero e Número (GN) e Sempreviva Organização Feminista (SOF), mostrou que 50% das mulheres passaram a cuidar de alguém durante a pandemia, sendo que 42% o  fizeram sem apoio de pessoas de fora do núcleo familiar e 51% daquelas que contavam com algum apoio para o cuidado disseram que ele diminuiu no período de isolamento social.

Soma-se a toda essa sobrecarga os dados de uma recente pesquisa global feita pelo LinkedIn: 30% das mulheres gostariam de aderir ao home office permanentemente, e 43% gostariam de fazer uma jornada híbrida. Só que a percepção delas é que trabalhar em casa pode prejudicar suas carreiras: para 53% das brasileiras, há um estigma negativo associado ao trabalho remoto e 56% têm receio do impacto negativo no seu desenvolvimento profissional.

 

Discurso e prática

Para Mariana Viana Teixeira, coordenadora de recursos humanos da Adaction Brasil, especializada em ações de mídia digital, mudar essa realidade depende tanto de uma alteração de mentalidade da própria profissional quanto de ações bem definidas das empresas. Mariana cita sua própria vivência como um exemplo: “Eu fui mãe aos 21 anos. Não era formada e não tinha uma carreira. Hoje, aos 28 anos, tenho pós-graduação e atuo em cargo de gestão na minha área. Esse desenvolvimento de carreira foi uma soma de não ver limites para a minha atuação às oportunidades que me foram oferecidas pelas empresas nas quais atuei”, destaca.

A especialista em recursos humanos recomenda que as lideranças de empresas que desejam trazer mais diversidade para seus quadros profissionais devem adotar o modelo como prática diária, indo além do discurso. “Esse desejo tem de partir das altas lideranças e ser bem executado pela área de recrutamento. E não pode ser só discurso, tem de ser colocado em prática no momento da seleção de novos colaboradores. Na Adaction, por exemplo, atualmente a maior parte das coordenadoras e gerentes são mulheres, o que mostra um desejo genuíno da empresa em apostar na diversidade.”

Para as profissionais, Mariana dá algumas dicas importantes a fim de garantir que elas se destaquem dentro do modelo híbrido de trabalho. Conheça:

 

  1. Acredite no seu potencial
    Não é porque a profissional atua em home office durante parte de sua rotina semanal que deixará de lado o desenvolvimento de sua carreira. A dica de Mariana é: busque se aprimorar na sua área, faça cursos (há muitos deles online e mesmo de graça, mas também vale pensar em especializações como graduação, pós ou MBA). E não se esqueça de comunicar as suas lideranças sobre essas atividades. Mostre que você está interessada e buscando se especializar para otimizar a sua atuação na empresa.
  2. Mantenha o diálogo aberto
    Mariana enfatiza que, além de comunicar o que se está fazendo para desenvolver aptidões para a profissão, a profissional deve também conversar ativamente com suas lideranças para saber o que a empresa precisa e espera dela. “Seja clara: se o seu sonho é ser mãe, nada disso te impede de ser, também, uma excelente profissional”, destaca a especialista em RH. Aqui é importante desenvolver um plano de carreira que deixe claro as intenções tanto da empresa quanto da colaboradora, buscando, ainda, adequá-las aos propósitos de ambos os lados.

  3. Separe os momentos
    Se é hora de trabalhar, a família precisa entender e apoiar. “No início da pandemia e do meu trabalho em home office, minha filha me via em casa e achava que eu estava disponível o tempo todo. Fui explicando para ela que eu estava no trabalho e que era preciso bater na porta, ou se estivesse em uma reunião, não poderia ser interrompida”, exemplifica a especialista. Aqui a divisão de tarefas com o companheiro ou companheira é fundamental para que todos deem conta das atividades tanto de trabalho quanto do lar.

  4. Seja organizada e pontual
    A organização é um fator fundamental para se desenvolver no mercado de trabalho e mostrar todo o seu potencial. O mesmo ocorre com a pontualidade, tanto nas reuniões quanto nas entregas. Mas é claro que há momentos em que atividades pessoais demandam atenção. Nesse ponto, Mariana dá a dica: “Sempre recomendo que, caso as profissionais precisem marcar consultas para elas ou para os filhos, o façam nos dias de home office e comuniquem a empresa com antecedência. Assim, poupa-se tempo com deslocamentos, pois não é necessário sair para trabalhar, depois sair do escritório para ir à consulta, voltar para o escritório e depois retornar ao lar”, exemplifica. Gerenciar os horários e as atividades, portanto, é muito importante para a mulher que quer se destacar no mercado de trabalho híbrido.

 

Autoconhecimento e planejamento

Mariana ainda enfatiza que o ponto principal de todas essas dicas é que a profissional saiba onde quer chegar e lute por isso, não importa se no home office ou no escritório. “Quando há clareza das metas e um planejamento claro para alcançá-las, não vejo limite para o desenvolvimento”, garante a especialista.

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