Empreendedorismo feminino movimenta a economia e gera empregos

por Feito para Ela

A participação feminina à frente de novos negócios já é maior do que a masculina e se torna cada dia mais importante na sociedade brasileira

A história mostra que as mulheres sempre contribuíram para a sociedade, sendo como inventoras, cientistas, escritoras e em todas as áreas socioeconômicas. Não seria diferente com quem teve a inciativa de formar seu próprio negócio. Em geral, esses movimentos costumavam a ser ofuscados pelo chamado “machismo estrutural”, preconceito histórico que se inclina ao favorecimento do homem em detrimento da mulher. Com o passar dos anos, esse comportamento vem diminuindo, o que contribui para uma busca gradativa de igualdade de participação, mas sobretudo, de equidade entre os gêneros. No campo do empreendedorismo isso já pode ser considerado uma realidade com boa evolução. A última pesquisa realizada em 2019 pelo Sebrae, em parceria com o GEM (Global Entrepreneurship Monitor), mostra que dos 52 milhões de empreendedores no Brasil, 30 milhões são mulheres. E mais, o número de mulheres empreendedoras era de 7,9 milhões em 2014, ou seja, houve um aumento de mais de 200% em apenas cinco anos.

“Apesar do quadro que se apresenta favorável, ainda são muitos os desafios a serem superados. Questões culturais, estruturais e até religiosas, que se manifestaram por séculos, faz com que a luta contra o preconceito e a perda de espaço seja árdua. Sem dúvida as mulheres estão mais preparadas, com mais voz, se posicionando mais e buscando empreender. A importância do empreendedorismo da mulher na economia é relevante. Segundo estudo do Mckinsey Global Institute, a promoção da igualdade de condições de trabalho acarretaria num incremento de cerca de 30% do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro”, explica Priscilia Queiroz, empresária da educação, treinadora de alta performance e estrategista comercial, que está à frente da Rede Mulheres que Decidem, organização fundada em 2013 que tem por objetivo apoiar, capacitar e conectar mulheres empreendedoras.

Sebrae Delas

Existem vários sinais e ainda há muito para evoluir, pois no empreendedorismo feminino existe muito mais informalidade, quando comparado ao masculino. “Uma das razões para que isso ocorra é que as mulheres tem mais afazeres domésticos. É comprovado que uma mulher que empreende se dedica 18 horas semanais aos chamados trabalhos do lar. Essa dedicação multitarefa das mulheres traz uma insegurança pela dupla jornada, dedicando-se ao trabalho e a família, evitando nesse cenário a formalidade e a abertura de um CNPJ. Essa ligação mais forte da mulher com a família ficou evidente durante a pandemia. Simplesmente 40% dos negócios das mulheres foram fechados nesse período, porque ela teve que se voltar para o lar mais intensamente. A retomada do crescimento será dura, mas ela vai acontecer. Outro fator que merece ser mencionado é que ainda existe uma grande resistência do apoio familiar à mulher empreendedora, como se ela fosse incapaz de gerir um negócio”, fala Priscilia.

Para ela, todavia, esses obstáculos devem servir de incentivo e não de desanimo. “A mulher que quer empreender deve ir atrás desse sonho, e são três os pilares para tanto: primeiro buscar no seu DNA o que gostaria de fazer. O segundo passo para o sucesso é a capacitação, que é algo essencial. E o terceiro é criar conexões, uma rede de networking, porque é preciso ter contatos e saber vender a si mesma”, afirma Queiroz. Ela chama atenção para outro ponto importantíssimo. Nem todos nasceram para empreender. “Na Rede Mulheres que Decidem atendemos também mulheres carreiristas, que cresceram dentro de empresas de terceiros. A metodologia é a mesma, caracteriza-se por 30% de teoria e 70% de prática. Fazemos com que a mulher se movimente, que provoque ações. Mas é importante dizer que nosso público-alvo são mulheres que já empreendem, mesmo que minimamente, ou carreiristas. Se a mulher nunca empreendeu, sugiro que procure primeiro o Sebrae, que tem um programa que se chama “Sebrae Delas”, voltado para esse público”, diz Priscilia.

Áreas mais ativas

A pandemia da Covid-19 também influenciou o mercado de trabalho. “Toda a área tem o seu potencial de evolução natural, mas verificamos um aumento de oportunidades no campo da saúde. A busca pelo autoconhecimento cresceu, então carreiras como a de psicóloga ou terapeuta estão em alta, e com bastante demanda. Assim como quem pratica atividades relacionadas ao conforto físico e espiritual. Ainda na área da saúde, cresceram atividades de reabilitação motora e cuidados em home care, especialmente para idosos. Na área educativa, muitas mulheres estão se dedicando ao reforço escolar, as famosas aulas particulares. O campo da construção está a todo o vapor, dessa forma profissões como decoradora, urbanista e paisagista também estão em alta. Podemos citar também a chamada personal organizer, outra atividade que ganhou ainda mais importância durante a pandemia, com o isolamento social e as mudanças de rotina. Enfim, são inúmeras as possibilidades”, exemplifica Priscilia.

A empresária é testemunha de muitos casos de sucesso dos mais variados perfis. “A mulher que fazia doces para a vizinhança e hoje montou uma confeitaria. Advogadas que viraram chefs de cozinha, e que redescobriram vocações, permitindo-se a realizar seus sonhos. No caso das carreiristas, contribuímos com o enriquecimento do currículo, com o crescimento dentro das empresas. Ajudamos a pessoa a se descobrir e a aprimorar sua atuação em equipes. Mas, não podemos apenas pintar o mundo de cor de rosa, pois existem muitas mulheres que empreendem por pura necessidade, já que são responsáveis únicas pelo lar, sendo pai e mãe. Ou ainda há aquelas que vivenciam a perda do emprego do(a) parceiro(a) ou veem a si mesmas desempregadas repentinamente. Seja qual for a situação, porém, o caminho dos três pilares precisa ser perseguido, caso contrário, o insucesso provavelmente vai se consumar”, reforça.

Soft Skills

Para Priscilia Queiroz, as mulheres têm características que ajudam a empreender. “Somos mais agregadoras, ouvimos mais, temos mais paciência, conseguimos, assim, liderar melhor. O lado humano nas relações também é mais valorizado pela mulher, algo imprescindível nos dias de hoje. Nós ajudamos a mulher a descobrir seu verdadeiro valor, de ter consciência da sua importância dentro da família, na sociedade como um todo, e para o Brasil. O aprendizado é o caminho para o sucesso. Como mensagem final, tenho duas frases que gosto, uma mais conceitual e outra prática. A conceitual é ‘seja interessante e não interesseira’ (risos). A prática é ‘treino é tudo, tudo é treino’. Empreender ou ter uma carreira de sucesso consiste numa arte, e essa as mulheres dominam com maestria”, finaliza Priscilia.

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