Body Shaming um problema que afeta principalmente as mulheres

por Feito para Ela
Entenda como exagero de exposição através das mídias sociais podem gerar consequências prejudiciais como a vergonha do próprio corpo

O Body Shaming significa algo como vergonha do corpo, mas uma vergonha causada principalmente por outra pessoa, ou através de algum comentário ou atitudes comportamentais, como um olhar estranho e preconceituoso. O Body Shaming também pode ser causado de forma não intencional, através de comentários nada simpáticos e depreciativos, como “nossa, você engordou muito!”, ou “você está muito magra, parece doente”. Entretanto, em outras situações, nem é necessário a pessoa ser questionada por um terceiro. O espelho passa a ser seu inimigo.

“A valorização do corpo, da imagem corporal, sempre existiu na humanidade. Porém, com o advento das redes sociais, essa valorização está cada vez maior. A exposição da imagem é estimulada, como se nós estivéssemos numa grande vitrine. Somos todos produtos, querendo ‘vender’ a nós mesmos. Isso por si só já é muito ruim, mas o pior é que muitas vezes aquela imagem não é real. Nesses casos, são dois os complicadores: O primeiro é a busca por uma estética corporal que simplesmente não existe. E o outro é se defrontar com seu eu ‘real’. Portanto, fica difícil, no íntimo, gostar da realidade, de quem você realmente é”, explica Adriana Drulla, mestre em psicologia positiva pela Universidade da Pensilvânia (EUA).

Julgamentos

A indústria da beleza é outro fator complicador. Ao eleger estereótipos estéticos “perfeitos”, ela contribui para que um mundo irreal, praticamente inatingível, se estabeleça na mente das pessoas. “É por isso que o Body Shaming está intimamente ligado às mulheres. Elas são as que mais sofrem com os padrões de beleza, além de serem as mais cobradas, e que consequentemente cobram a si mesmas na busca do corpo dito perfeito”, completa Drulla.

Outro fator negativo é a própria natureza humana. “Julgar os outros é inerente do ser humano. A formação da personalidade de cada um é baseada na comparação. Em certas situações, o ataque, a crítica, é, na verdade, uma defesa. Eu ‘pioro’ o outro, para ‘melhorar’ a mim mesmo. O terrível dessa história toda é que quanto mais você julgar alguém, mais vai julgar a si próprio, criando um círculo vicioso que pode levar a péssimas consequências”, afirma a psicóloga.

Apoio Familiar

No Brasil não existem dados estatísticos sobre esse tipo de comportamento e suas implicações, mas, nos EUA, pesquisas mostram que de 2009 a 2015, a automutilação entre meninas cresceu quatro vezes, e os casos de depressão aumentaram em até 70%.
“A automutilação e a depressão são dois transtornos intimamente ligados ao Body Shaming, mas não são os únicos. Transtornos alimentares, como a anorexia e a bulimia, e ainda a ansiedade e a baixa autoestima também podem ter tudo a ver. Nesses cenários, contar com apoio profissional de psiquiatras e psicólogos é essencial. Mas a família é quem terá um papel preponderante na busca por uma melhora. Não adianta nada ficar falando ‘olha, você tem tudo, não reclame’ ou ‘preocupe-se com outras coisas mais importantes’. É preciso que os pais validem o sofrimento dos filhos e não o minimizem. Muitas vezes, os próprios pais necessitam de um apoio profissional psicológico. A escola também pode ter um papel importante no processo. E as meninas adolescentes são as mais suscetíveis porque ainda não têm a identidade formada. E é necessário afirmar que quanto maior for o isolamento, maior será o sofrimento”, explica Drulla.

Body Positive

Existe um movimento chamado Body Positive, que atua no sentido contrário ao Body Shaming. Ele prega que a indústria da beleza e outros segmentos valorizem todo e qualquer tipo de corpo. Porém, para Adriana Drulla, esse caminho também é equivocado. “Podemos, no máximo, dizer que é “menos pior”. Apesar da boa intenção, da busca pela diversidade nas mídias e redes sociais, o corpo continua sendo o protagonista da história, só é mudado o paradigma. Claro que é melhor do que só ter a hegemonia de um ideal, mas o caminho correto é a valorização de outros aspectos humanos e não apenas o estético”, conclui a psicóloga.

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